Economia

Alagoas amplia renda e 60% da população sobe de classe, diz FGV

Estudo da FGV aponta avanço social entre 2022 e 2024 e redução da pobreza no Brasil com alta da renda do trabalho

Por Redação 22/02/2026 15h03
Alagoas amplia renda e 60% da população sobe de classe, diz FGV
Mais de 60% da população alagoana subiu de classe - Foto: Reprodução

O percentual de alagoanos que passaram a integrar faixas mais altas de renda saltou de 48,2% para 60,11% entre 2022 e 2024, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço de 11,91 pontos percentuais foi identificado no estudo “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras”.


A pesquisa analisa a dinâmica das classes sociais no país entre 1976 e 2024, com base na renda domiciliar per capita, posteriormente convertida em renda total do domicílio. O objetivo é acompanhar como os brasileiros se distribuem ao longo do tempo nas classes E, D, C, B e A.

De acordo com os critérios adotados pela FGV, integram a Classe A os domicílios com renda superior a R$ 14.191. A Classe B reúne rendas entre R$ 10.885 e R$ 14.191. Já a Classe C abrange valores de R$ 2.525 a R$ 10.885. As Classes D e E contemplam famílias com renda entre R$ 1.580 e R$ 2.525 e até R$ 1.580, respectivamente. Todos os valores estão atualizados pelo IPCA e expressos a preços médios de 2023.

Os pesquisadores ressaltam que os parâmetros servem como referência estatística e não consideram patrimônio acumulado, como imóveis ou aplicações financeiras, nem diferenças no custo de vida entre municípios. A metodologia permite medir a mobilidade social, incluindo a entrada e saída da classe média ao longo das décadas.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, avaliou que os números refletem o impacto de políticas públicas voltadas à população de baixa renda. Segundo ele, beneficiários do Cadastro Único e do Bolsa Família passaram a integrar a classe média, resultado atribuído não apenas à transferência de renda, mas também à ampliação de oportunidades em educação, emprego e empreendedorismo.

No cenário nacional, o estudo aponta que 17,4 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e migraram para faixas superiores de renda no mesmo período, o equivalente a um avanço de 8,44 pontos percentuais.

De acordo com a FGV, o crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da renda do trabalho e pela articulação de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de políticas de acesso à educação e ao crédito.

O levantamento também evidencia desigualdades regionais. Enquanto Sul e Sudeste concentram maior participação nas classes A, B e C, Norte e Nordeste ainda registram predominância nas classes D e E. Fatores como escolaridade, inserção no mercado formal e acesso a benefícios previdenciários influenciam diretamente a posição econômica das famílias. Domicílios chefiados por pessoas com ensino superior completo tendem a ocupar as faixas de renda mais elevadas.

Responsável pela pesquisa, o economista Marcelo Neri destaca que 2024 apresenta os maiores níveis históricos de participação das classes A, B e C na população brasileira. Ao mesmo tempo, as classes D e E atingiram os menores percentuais já registrados na série histórica, indicando melhora nas condições de vida e redução da pobreza no país.