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Pausas para hidratação na Copa de 2026 são questionadas por especialistas

Pesquisadores afirmam que medidas adotadas pela FIFA precisam priorizar a saúde dos jogadores e não fatores comerciais ou de transmissão

Por Redação com CNN Brasil 07/07/2026 17h05
Pausas para hidratação na Copa de 2026 são questionadas por especialistas
Jogadores da Inglaterra conversam com o técnico Thomas Tuchel durante a pausa para hidratação no duelo contra a Croácia - Foto: PA Images via Getty Images

As pausas para hidratação previstas durante os jogos da Copa do Mundo de 2026 são consideradas cientificamente eficazes para reduzir os efeitos do calor sobre os atletas, mas especialistas apontam que a forma como a medida é aplicada pela FIFA pode não estar priorizando a proteção à saúde dos jogadores.

Segundo as diretrizes médicas da entidade, as interrupções têm como objetivo prevenir problemas relacionados ao calor extremo e são acionadas quando o estresse térmico ambiental ultrapassa o limite de 32 °C no índice de temperatura de bulbo úmido e globo (WBGT), utilizado para avaliar o impacto do calor no corpo humano.

Pesquisadores, no entanto, afirmam que a aplicação das pausas deveria ser baseada exclusivamente nas condições ambientais e na necessidade de resfriamento dos atletas. A avaliação foi publicada pela revista científica Nature a partir de um estudo divulgado no periódico Journal of Science and Medicine in Sport.

Para Harry Brown, pesquisador especializado nos efeitos do calor sobre a saúde e o desempenho esportivo, as pausas são importantes, mas precisam ser realizadas de maneira adequada. Segundo ele, existe uma diferença entre a finalidade prevista pela ciência e a forma como a medida vem sendo conduzida.

“O resfriamento deveria ser ajustado ao estresse térmico ambiental, mas as pausas parecem estar relacionadas à programação da televisão e às receitas publicitárias”, afirmou o pesquisador. Ele também destacou que, em alguns casos, os jogadores permanecem expostos ao sol durante orientações táticas, em vez de utilizarem o período para recuperação em áreas de sombra.

O especialista aponta ainda que a adoção de um modelo igual para todas as partidas pode reduzir a eficácia da medida. As pausas são realizadas independentemente das condições climáticas, inclusive em estádios com sistemas de climatização, o que pode transformar uma estratégia de segurança em um procedimento apenas protocolar.

Estudos conduzidos por Brown e sua equipe simularam partidas de futebol de 90 minutos em ambientes com temperatura de 40 °C e umidade de 41%. Os testes avaliaram diferentes formas de recuperação, incluindo pausas curtas com resfriamento, uso de toalhas com gelo, consumo de bebidas frias e períodos maiores de descanso.

Os resultados indicaram que as interrupções com métodos ativos de resfriamento ajudaram a reduzir a temperatura corporal dos atletas e o esforço cardiovascular. Já pausas sem estratégias específicas de resfriamento apresentaram efeitos limitados.

Entre as medidas sugeridas pelos especialistas está a criação de critérios baseados na fisiologia dos jogadores e no nível real de estresse térmico de cada partida. Eles defendem que o resfriamento ativo, com acesso a sombra, toalhas geladas e líquidos frios, seja obrigatório durante as interrupções.

Além disso, os pesquisadores recomendam limitar o tempo destinado a orientações táticas e evitar que atividades comerciais comprometam o objetivo principal das pausas: proteger a saúde e o desempenho dos atletas em condições de calor intenso.