Política

Direito internacional não foi respeitado em ataque dos EUA à Venezuela

Subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Construção da Paz da ONU abriu a sessão criticando a operação militar norte-americana

Por Agência Brasil 05/01/2026 14h02 - Atualizado em 05/01/2026 15h03
Direito internacional não foi respeitado em ataque dos EUA à Venezuela
Reunião de emergência convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Em reunião de emergência convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, ocorrido em 3 de janeiro, a subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Construção da Paz da ONU, Rosemery DiCarlo, representando o secretário-geral António Guterres, abriu a sessão criticando a operação militar norte-americana.

“Estou profundamente preocupada que as leis do direito internacional não foram respeitadas na ação militar do dia 3 de janeiro”, declarou Rosemery nesta segunda-feira (5).

Segundo a subsecretária, o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer Estado é inaceitável, e a manutenção da paz mundial depende do compromisso dos Estados-membros com a Carta das Nações Unidas.

Rosemery conclamou as partes venezuelanas a se engajarem em um diálogo democrático, permitindo que todos os setores da sociedade determinem seu futuro.

“Isso pressupõe total respeito aos direitos humanos, à lei e à soberania do povo venezuelano. Também apelo para que os países vizinhos da Venezuela e a comunidade internacional atuem no espírito de solidariedade e obediência às leis que promovem a coexistência pacífica”, afirmou.

A subsecretária destacou ainda sua “profunda preocupação” com o aumento da instabilidade na Venezuela, o impacto potencial na região e os precedentes estabelecidos entre as nações.

“Em situações confusas e complexas como essa, é fundamental manter os princípios de respeito à Carta da ONU e a todos os mecanismos de manutenção da paz e segurança mundiais”, acrescentou Rosemery DiCarlo.

Ela reforçou a necessidade de respeito a princípios como soberania, independência política e integridade territorial. “A proibição do uso da força e o império da lei devem prevalecer. Leis internacionais oferecem ferramentas para lidar com questões como tráfico internacional de drogas, disputas sobre recursos naturais e violações de direitos humanos. Esse é o caminho que precisamos seguir”, concluiu.

Na operação militar, forças americanas retiraram à força Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano, resultando em mortes entre as forças de segurança do presidente e explosões em Caracas, capital do país. Maduro foi levado para Nova York e, segundo o governo dos Estados Unidos, responderá a acusações por suposta ligação com o tráfico internacional de drogas.

O casal foi levado nesta segunda-feira ao Tribunal Federal, em Nova York, para uma audiência de custódia na Justiça norte-americana. Eles serão notificados oficialmente sobre os crimes que lhes são imputados e permanecem detidos em um presídio federal no Brooklyn, também em Nova York.