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Planeta mais tênue já fotografado é descoberto por acaso no sistema Beta Pictoris

A identificação ocorreu quando pesquisadores analisavam informações originalmente coletadas para estudar outro planeta do mesmo sistema

Por Sputnik Brasil com Redação 16/07/2026 07h07
Planeta mais tênue já fotografado é descoberto por acaso no sistema Beta Pictoris
Foto: © Foto / ESO/Digitized Sky Survey 2

O exoplaneta Beta Pictoris d, o mais tênue já fotografado diretamente da Terra, foi identificado de forma acidental enquanto astrônomos revisavam dados antigos e recentes do sistema Beta Pictoris. A descoberta revelou um terceiro planeta jovem e frio, oculto há mais de uma década pelo brilho intenso da estrela.

A identificação ocorreu quando pesquisadores analisavam informações originalmente coletadas para estudar outro planeta do mesmo sistema. O achado emergiu de arquivos esquecidos e observações atuais, demonstrando como o acaso segue impulsionando a investigação científica.

Beta Pictoris, estrela jovem e brilhante localizada a 64 anos-luz da Terra, é considerada um laboratório natural para o estudo da formação planetária. Com seus discos de detritos ativos, a estrela registra colisões frequentes e é bombardeada diariamente por cometas. Esses discos funcionam como berçários cósmicos, onde já haviam sido identificados dois gigantes gasosos em formação: Beta Pictoris b e c, ambos extremamente massivos e quentes.

Ao revisar registros do Telescópio Muito Grande (VLT) e do Telescópio Espacial James Webb (JWST), astrônomos detectaram um terceiro planeta: Beta Pictoris d. Ele permaneceu escondido por mais de dez anos, confundido pelo brilho intenso da estrela e pela distância de sua órbita.

A descoberta só foi possível graças à combinação de dados antigos e a novas técnicas de análise, que permitiram separar o fraco sinal do planeta do ruído luminoso ao redor.

Menor e mais frio que seus "irmãos", Beta Pictoris d possui 2,4 vezes a massa de Júpiter e temperatura aproximada de 330 °C. Sua órbita é ampla, semelhante à distância entre Netuno e o Sol, o que dificulta ainda mais sua detecção. Essa separação, somada ao brilho intenso da estrela, explica por que o planeta permaneceu invisível por tanto tempo.

Beta Pictoris d é 100 vezes mais fraco que Beta Pictoris b, tornando-se o exoplaneta mais tênue já registrado em imagem direta da Terra. A descoberta reforça a importância de observações repetidas e de longo prazo, essenciais para revelar mundos jovens e distantes que podem permanecer ocultos por anos nos limites da capacidade instrumental.

A identificação do novo planeta amplia o conjunto de exoplanetas diretamente fotografados, que já reúne dezenas de gigantes extremamente quentes. Sistemas com múltiplos planetas registrados em imagem são especialmente valiosos, pois permitem comparar mundos formados no mesmo ambiente, oferecendo pistas sobre como diferentes massas, temperaturas e órbitas influenciam a evolução planetária.

A expectativa é que tecnologias cada vez mais sensíveis permitam identificar mundos antes invisíveis, aprofundando a compreensão sobre a formação de planetas e abrindo novas possibilidades para investigar ambientes onde a vida, mesmo em formas primitivas, possa surgir.

Por Sputnik Brasil