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Estudo aponta que nuvens minerais podem criar oceanos de magma em sub-Netunos

Simulações indicam que nuvens de minerais vaporizados retêm calor, elevam temperaturas internas e podem alterar interpretações feitas pelo telescópio James Webb

Por Sputnik Brasil 14/07/2026 08h08
Estudo aponta que nuvens minerais podem criar oceanos de magma em sub-Netunos
Estudo mostra que o calor aprisionado por nuvens de minerais pode alterar a atmosfera e a superfície de exoplanetas - Foto: © Foto / Hailey Nelson/ASU

Nuvens formadas por minerais vaporizados podem aprisionar calor em sub-Netunos e elevar a temperatura interna desses exoplanetas a milhares de graus, derretendo suas superfícies e criando extensos oceanos de magma. Além disso, essas nuvens podem distorcer sinais atmosféricos captados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST).

A formação dessas nuvens de rocha vaporizada cria um isolamento térmico extremo, elevando as temperaturas internas dos sub‑Netunos e provocando a fusão de suas camadas superficiais. Esses mundos, comuns entre os exoplanetas, podem apresentar solos completamente derretidos sob atmosferas densas e profundas.

Sub-Netunos são planetas maiores que a Terra, porém menores que Netuno, sem equivalente no Sistema Solar, o que torna sua composição ainda mais misteriosa. Acredita-se que possuam um núcleo rochoso envolto por uma atmosfera espessa, composta por hidrogênio, vapor d’água ou moléculas orgânicas. Em alguns casos, poderiam até abrigar oceanos globais, como sugerem modelos de mundos hiceanos.

O JWST busca decifrar essas atmosferas para entender a estrutura interna desses planetas, mas os dados ainda são inconclusivos. Pressões intensas na interface entre atmosfera e interior podem vaporizar minerais como silicato de magnésio, ferro e óxidos metálicos, formando nuvens profundas e densas.

Simulações realizadas por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona mostram que essas nuvens minerais funcionam como isolantes térmicos altamente eficientes. Ao reter o calor do interior, elevam a temperatura da região entre atmosfera e superfície em até 2.600 °C, enquanto as camadas superiores da atmosfera permanecem frias.

Com tanto calor acumulado, a rocha superficial começa a derreter, formando vastos oceanos de magma em alguns planetas modelados. Um exemplo é o GJ 1214b, antes considerado um mundo aquático frio, mas cuja atmosfera revelou vapores metálicos e névoa de dióxido de carbono — sinais de que sua superfície pode estar totalmente fundida.

A presença de magma altera profundamente a química atmosférica. Gases liberados do oceano de lava enriquecem a atmosfera com oxigênio e compostos de silício, enquanto o magma absorve amônia, metano e vapor d’água. Essa troca pode distorcer as leituras do JWST e influenciar a evolução dos planetas, mantendo suas atmosferas expandidas por bilhões de anos.

Se confirmadas, essas descobertas representam um desafio para a habitabilidade dos sub‑Netunos. Mesmo sem a formação de magma, o calor extremo na interface entre atmosfera e superfície seria suficiente para impedir a existência de água líquida ou qualquer forma de vida conhecida.