Agro

Mercado de açúcar segue pressionado por oferta, apesar de riscos climáticos

Analista da StoneX aponta que fundamentos de curto prazo limitam alta dos preços, enquanto incertezas climáticas sustentam perspectiva de maior volatilidade

Por Redação 14/07/2026 08h08
Mercado de açúcar segue pressionado por oferta, apesar de riscos climáticos
Clima e oferta seguem como os principais fatores que influenciam as cotações internacionais do açúcar - Foto: Reprodução

O mercado internacional de açúcar segue enfrentando pressão da elevada oferta no curto prazo, fator que tem limitado uma recuperação mais consistente dos preços, apesar das preocupações com o clima em importantes regiões produtoras. A avaliação é do analista de inteligência de mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifacio Filho.

Segundo o especialista, o açúcar chegou a superar temporariamente o patamar de US¢ 15 por libra-peso no início da semana, mas perdeu força nos dias seguintes. O movimento reflete um cenário dividido entre fatores de sustentação, como os riscos climáticos na Ásia e na Europa e a redução das posições vendidas por fundos de investimento, e fundamentos que ainda indicam uma oferta confortável no mercado.

De acordo com Di Bonifacio, a liquidação das posições vendidas contribuiu para a alta observada nas últimas semanas, porém em intensidade inferior ao histórico, sinalizando que os agentes ainda enxergam um ambiente de sobreoferta.

Outro fator que limita o avanço das cotações é a dificuldade do contrato com vencimento em outubro de 2026 de permanecer acima de US¢ 15 por libra-peso. Conforme a análise, a desvalorização do etanol hidratado tem incentivado usinas do Centro-Sul a fixarem preços próximos de R$ 1.800 por tonelada, aumentando a liquidez das vendas.

Além disso, os prêmios de exportação nos embarques pelo Porto de Santos recuaram para níveis inferiores aos menores registrados nos últimos cinco anos, reduzindo as expectativas de uma demanda excepcional pelo açúcar brasileiro.

No cenário de médio e longo prazo, o clima permanece como a principal variável para o mercado. Embora as chuvas tenham apresentado melhora recente na Índia, persistem preocupações em relação aos impactos de um possível fortalecimento do fenômeno El Niño sobre a próxima safra.

Para o analista da StoneX, o mercado deve continuar operando com elevada volatilidade, diante do equilíbrio entre a pressão de venda das usinas brasileiras no curto prazo e a possibilidade de uma oferta mais restrita ao longo de 2027, caso as condições climáticas afetem a produção nas principais regiões produtoras.