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Asteroide 'desaparecido' pode ser a origem de poeira cósmica que chega na Terra

Por Sputnik Brasil 07/07/2026 09h09
Asteroide 'desaparecido' pode ser a origem de poeira cósmica que chega na Terra
Foto: © Shutterstock/FOTODOM / Mikael Damkier

Micrometeoritos com composições químicas incomuns revelam a possível existência de um asteroide "desaparecido", ausente das coleções conhecidas de meteoritos. Pesquisadores acreditam que esse corpo celeste pode ser responsável por até 10% da poeira cósmica que atinge a Terra há mais de um milhão de anos.

Esses micrometeoritos caem continuamente sobre o planeta, formando uma camada invisível de poeira espacial. Originados de asteroides e cometas, eles se transformam em pequenas esferas vítreas ao atravessar a atmosfera — e algumas carregam assinaturas químicas que não correspondem a nenhum meteorito já catalogado.

Segundo Matthias Van Ginneken, da Universidade de Kent, essas partículas revelam material extraterrestre ausente das coleções tradicionais, ampliando o potencial científico da análise dessa poeira cósmica.

Micrometeorito visto ao microscópio eletrônico de varredura
Micrometeorito visto ao microscópio eletrônico de varredura

Essas partículas preservam registros do ambiente cósmico e ajudam a rastrear detritos espaciais ao longo de milhares de anos. Além disso, oferecem pistas sobre a composição de asteroides próximos da Terra, sem a necessidade de missões de coleta de amostras.

Desde 2005, cientistas identificam micrometeoritos com proporções incomuns de isótopos de oxigênio, classificados como Grupo 4 e sem corpo parental conhecido. Em 2020, análises apontaram que essas características eram herdadas do asteroide original, e não resultantes da passagem pela atmosfera.

Outras anomalias também foram observadas, como pequenas esferas de poeira espacial em que o mineral olivina se concentra em apenas um lado durante a queda — um efeito semelhante ao de um líquido sendo empurrado para um canto quando algo freia bruscamente. Ao investigar se essas características ocorriam juntas, os pesquisadores descobriram uma sobreposição quase total, indicando uma provável origem comum em um tipo raro de asteroide.

Além disso, a equipe identificou ausência de magnetita e altos níveis de enxofre, características raras que levaram à criação do grupo de partículas de olivina cumulativa ricas em enxofre (SCumPo, na sigla em inglês). A falta de magnetita sugere um ambiente redutor e possível origem em asteroide rico em carbono; já o enxofre remete aos raros meteoritos condritos CY, também ricos em carbono e com química incomum.

Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790
Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790

As proporções de oxigênio sugerem alteração por água incomum, reforçando a ideia de um asteroide extremamente raro que pode representar até 10% de todos os micrometeoritos conhecidos. Simulações indicam uma entrada atmosférica muito rápida, típica de asteroides próximos da Terra.

O corpo progenitor pode já estar catalogado entre os mais de 40 mil objetos próximos da Terra, mas apenas amostras diretas poderão confirmar sua identidade.