Política
Flexibilidade ideológica do Centrão é vista como fragilidade em cenário polarizado
Durante os governos do PT, o bloco se beneficiou de uma relação de interesses mútuos
O Centrão, que por anos ampliou seu espaço nacional ao apoiar diferentes governos, agora enfrenta desafios diante do fortalecimento da direita e da polarização política.
Durante os governos do PT, o bloco se beneficiou de uma relação de interesses mútuos, mas, após tentar se aproximar das pautas da direita liderada por Flávio Bolsonaro, ainda que discretamente, o Centrão sente a pressão do avanço do PL nas eleições de 2026.
Movimentações políticas já estão em curso, como a busca de Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União) pela reeleição às presidências da Câmara e do Senado. A principal dúvida é se o Centrão conseguirá recompor sua influência por meio de uma aliança com o Executivo ou se cederá ainda mais espaço à direita bolsonarista.
Segundo Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a disputa do Centrão não está necessariamente ligada a um projeto político ou ideológico, mas sim ao acesso à estrutura do Estado. “Quem controla o orçamento, ministérios e cargos é o Executivo [...] E esse Executivo será o Lula até 2030”, explica.
Bruno Bolognesi, cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca ainda a diferença entre a dinâmica parlamentar e a eleitoral. Parte dos deputados acreditava que a distribuição de emendas seria suficiente para garantir a reeleição, mas os resultados mostraram que essa estratégia não assegura, por si só, a permanência no Congresso.
Para Prando, a flexibilidade ideológica do Centrão, historicamente usada para negociar com diferentes governos, passou a ser uma fragilidade diante da polarização. Com o fortalecimento das identidades ideológicas entre os eleitores, o pragmatismo do bloco dificulta a construção de uma imagem própria, especialmente perante o eleitorado conservador.
