Política

Gaspar aposta em vitória em AL: “um alagoano na Vice-Presidência

Candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, ele intensificou nos últimos dias a presença no Estado

Por Blog Edivaldo Junior 13/10/2026 12h12
Gaspar aposta em vitória em AL: “um alagoano na Vice-Presidência
Alfredo Gaspar participa de reunião com prefeitos em Alagoas. - Foto: Reprodução

Alfredo Gaspar parece determinado a tentar virar o jogo em Alagoas no segundo turno da eleição presidencial. Candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, ele intensificou nos últimos dias a presença no Estado, reuniu prefeitos, participou de atos de rua e passou a explorar com mais força um argumento local: Alagoas poderá ter um alagoano na Vice-Presidência da República.

Gaspar tem repetido que essa condição pode pesar na escolha do eleitor alagoano. “Alagoas dará a vitória a Flávio Bolsonaro porque terá um alagoano na Vice-Presidência para poder melhorar a vida do povo”, afirmou. Ele diz acreditar que a presença de um nome do Estado na chapa ajudará Flávio a crescer até o dia 25.

Nos últimos dias, o candidato passou por São Miguel dos Campos, Colônia Leopoldina e Marechal Deodoro. Antes disso, participou com Arthur Lira de uma articulação com representantes de 22 municípios, numa tentativa de ampliar o apoio de prefeitos e lideranças locais.

Depois de 4 de outubro, além da adesão de Lira, Gaspar também recebeu o apoio da vice-governadora eleita, Célia Rocha e deputados federais eleitos, a exemplo de Marx Beltrão, Fábio Costa e Gilvan Barros.

A campanha trabalha para chegar ao apoio de pelo menos 30 prefeitos e ampliar a presença de Flávio no interior, onde Lula saiu do primeiro turno com ampla vantagem em Alagoas. Gaspar assumiu pessoalmente a tarefa de tentar reduzir essa diferença e transformar sua presença na chapa em voto.

“Tenho certeza de que essa vitória virá com o apoio de Deus, do povo brasileiro e com o reconhecimento cada vez maior do povo de Alagoas”, disse.

Não será fácil

Ao mesmo tempo em que Gaspar aumenta a presença nas ruas, também cresceu nos últimos dias a mobilização em favor de Lula em Alagoas. Lideranças petistas relatam uma participação mais espontânea de eleitores nesta fase do segundo turno, com manifestações, atos e maior presença da militância fora das estruturas tradicionais de campanha.

O presidente estadual do PT, Ronaldo Medeiros, aposta que Lula continuará vencendo no Estado mesmo com o “efeito Gaspar”. Segundo ele, a entrada de um alagoano na chapa adversária pode produzir algum crescimento para Flávio Bolsonaro, mas não seria suficiente para inverter o resultado.

A avaliação do PT é que Lula continua muito forte sobretudo no interior e entre os eleitores de menor renda. A mobilização desta reta final, segundo Medeiros, também teria aumentado pelo receio de parte do eleitorado com uma eventual volta do bolsonarismo ao governo.

A disputa em Alagoas, portanto, será bem acirrada no segundo turno. Alfredo Gaspar aposta no argumento de que é alagoano para crescer no Estado. Lula, por outro lado, aposta na vantagem construída no primeiro turno e numa mobilização maior de sua base.

É esse confronto que deve marcar os próximos dias: de um lado, Gaspar percorrendo municípios e tentando nacionalizar o peso de um vice alagoano; do outro, o PT tentando mostrar que a força de Lula em Alagoas continua maior do que qualquer efeito produzido pela chapa adversária.

Na base de Renan

A articulação de Alfredo Gaspar ganhou um ingrediente ainda mais incômodo para o grupo de Renan Filho. Entre os 22 prefeitos e representantes municipais reunidos no movimento pró-Flávio Bolsonaro, pelo menos dez foram eleitos pelo MDB em 2024.

Estão nessa lista Leandro Silva, de Junqueiro; Tiago Mateus, de Igreja Nova; Ângela Vanessa, de São José da Laje; Dalminho, de Belo Monte; Jorge Dantas, de Pão de Açúcar; Abrahão Moura, de Paripueira; Allan de Jesus, de Porto de Pedras; Neto de Pino, de Campestre; Maurício Holanda, de Chã Preta; e Gilberto Sobreira, de Colônia Leopoldina.

É um detalhe que chama atenção porque o MDB é justamente o partido comandado em Alagoas por Renan Calheiros e principal sustentação política de Renan Filho. Em outras palavras: Gaspar não está buscando apoio apenas na direita ou entre aliados tradicionais de Arthur Lira. Ele conseguiu levar para a mobilização prefeitos de um partido que, oficialmente, está no palanque adversário.

Isso não significa, necessariamente, rompimento desses gestores com Renan Filho, mas mostra que, no segundo turno presidencial, Alfredo conseguiu abrir espaço dentro de uma base política que, no papel, deveria estar trabalhando por Lula.