Política
Augusto Cury cobra explicações de Moraes e sugere que ministro deixe o STF
Segundo Cury, caso sejam comprovados erros que justifiquem a saída de Moraes da Corte, o ministro deveria ter a dignidade de se autoexcluir do Supremo
O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, defendeu nesta quarta-feira (2) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), preste esclarecimentos sobre as recentes revelações envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo Cury, caso sejam comprovados erros que justifiquem a saída de Moraes da Corte, o ministro deveria ter a dignidade de se autoexcluir do Supremo ou então ser submetido a um processo de impeachment.
"Alexandre de Moraes deve se explicar, sim, e, se ele cometeu erros passíveis de uma exclusão, ele deveria ter a dignidade para se autoexcluir ou então sofrer o impeachment. Mas quem vai julgar é a Justiça."
A declaração foi feita durante reunião com lideranças da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), na capital paulista, onde Cury recebeu propostas ligadas ao combate ao antissemitismo, à defesa dos direitos humanos e à liberdade religiosa. Após o encontro, ele conversou com jornalistas e foi questionado sobre a possibilidade de impeachment ou renúncia de Moraes.
O presidenciável evitou defender diretamente uma das medidas neste momento, mas ressaltou que não haverá "blindagem" a autoridades em um eventual governo. Para Cury, ocupantes de cargos públicos devem prestar contas à população e responder por seus atos. "Meu posicionamento é claro, convicto, porque cargo público é sério", afirmou.
A fala de Cury acontece em meio à pressão de parlamentares da oposição por esclarecimentos do ministro e por pedidos de impeachment no Senado, após as revelações sobre as relações entre Moraes e Vorcaro.
Durante a entrevista, Cury também comentou a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, que o aponta com 10% das intenções de voto no primeiro turno. Ele atribuiu o crescimento a um movimento "completamente espontâneo" de apoio nas redes sociais e voltou a defender o diálogo e a pacificação entre esquerda e direita.
"Existem milhões de pessoas que são encantadoras na direita e milhões de pessoas que são encantadoras na esquerda. E nós temos que sentar na mesa para discutir o Brasil."
O candidato ainda reagiu, com bom humor, às críticas feitas por Renan Santos, do Missão, que o chamou de "pastel de vento" ao comentar seu desempenho eleitoral. "Eu gosto muito de pastel. Eu acho uma delícia. E eu respeito o Renan", respondeu Cury.
