Política
Assembleia de Alagoas trava CPI sobre investimentos do Iprev no Master
Deputados não conseguiram assinaturas suficientes para abertura da comissão
A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em títulos do Banco Master segue travada na Assembleia Legislativa de Alagoas.
A proposta foi articulada em junho pelos deputados Ronaldo Medeiros (PT), Dr. Wanderley e Remi Calheiros (MDB), mas não avançou por falta de apoio. São necessárias nove assinaturas, o equivalente a um terço dos parlamentares da Casa, para que a CPI seja instaurada.
O objetivo inicial era esclarecer aportes de cerca de R$ 117 milhões realizados entre 2023 e 2024 em letras financeiras do Banco Master, que não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação extrajudicial da instituição decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, os recursos viraram alvo de investigação.
A Polícia Federal apura suspeitas de gestão fraudulenta e busca reconstruir o processo que levou às aplicações. Segundo a corporação, duas operações somaram R$ 97 milhões, e a investigação pretende esclarecer etapas de credenciamento, análise de risco e governança.
O ex-prefeito e vereador Rui Palmeira (PSD) denunciou possíveis irregularidades ao Ministério Público de Alagoas e à PF, apontando afronta às regras legais que regem as reuniões do Iprev. Documentos mostram que um investimento de R$ 80 milhões foi aprovado em dezembro de 2023 com apenas quatro conselheiros presentes, número inferior ao exigido por lei.
A consultoria Crédito & Mercado, citada em atas do instituto, negou qualquer participação nas decisões e afirmou colaborar integralmente com as autoridades para esclarecer os fatos.
