Política
Campanha de Lula pede cassação de Flávio Bolsonaro por abuso de poder
Coligação pediu o protocolo neste domingo (30)
A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por sete partidos (PT, PC do B, PV, PDT, PSB, PSOL e REDE) que apoiam a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, anunciou neste domingo (30) o protocolo de uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a cassação do registro do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e de seu vice, Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade de ambos por oito anos.
Segundo a ação, o grupo político de Flávio Bolsonaro teria se apropriado da 71ª Festa de Peão de Barretos para fins eleitorais. O evento, realizado entre 20 e 30 de agosto no Parque do Peão, em Barretos (SP), é considerado o maior rodeio da América Latina. Flávio Bolsonaro participou da festa em 22 de agosto.
De acordo com a coligação, houve "evidente e grave abuso do poder econômico" durante a presença de Flávio Bolsonaro no evento.
"Neste ano, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, convocou Flávio Bolsonaro ao palco principal do evento, diante de 60 mil eleitores, e o apresentou como 'herdeiro' político de Jair Bolsonaro. Houve pedido explícito de voto e Flávio se autodeclarou, em discurso, o 'futuro presidente do Brasil'", informou a coligação em comunicado.
O documento destaca que a equipe jurídica de Lula identificou o uso de uma grande estrutura profissional de som, luz e público, financiada por empresas privadas e órgãos estatais, o que caracterizaria financiamento empresarial indevido e a realização de um "showmício" disfarçado.
Segundo a ação, antes do discurso de Flávio Bolsonaro, foram exibidas imagens do candidato do PL enquanto o locutor promovia "um verdadeiro show para apresentação do candidato", com discurso inflamado e expressões alinhadas à campanha do presidenciável.
Os advogados de Lula argumentam que não se tratou de uma "manifestação espontânea ou improvisada", mas sim de um ato político "previamente organizado e coordenado, inserido deliberadamente na programação do evento".
"O abuso é patente, portanto, não só pelo tamanho do evento, como também pela utilização de estrutura custeada por pessoa jurídica, a caracterizar doação indireta de fonte vedada", afirma a ação.
O documento ainda aponta que Flávio Bolsonaro, em seu discurso, fez promessas relacionadas ao agronegócio e à instituição familiar, reforçando o suposto abuso de poder econômico.
"Houve a transformação do que seria um evento cultural, artístico e esportivo em um verdadeiro comício eleitoral […] não houve somente o desvirtuamento de um show em comício, mas também ato de campanha de uso comum cuja veiculação de propaganda é terminantemente proibida", destaca a ação.
