Política

Decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas entra em vigor

Por Agência Brasil 05/06/2026 12h12
Decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas entra em vigor

Entrou em vigor nesta sexta-feira (5) a decisão do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas. A medida, anunciada em 28 de maio, pode trazer consequências econômicas e geopolíticas para o país.

O governo brasileiro criticou a decisão, argumentando que ela abre margem para interferência de Washington em assuntos internos sob o pretexto do combate ao terrorismo. O Palácio do Planalto defende que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação internacional, respeitando a soberania dos Estados.

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a medida dos EUA tenta limitar a soberania brasileira e pode servir de justificativa para possíveis intervenções estrangeiras diretas no país.

Governo e especialistas também alertam que a classificação pode prejudicar a economia brasileira, afetando setores como turismo, investimentos, comércio exterior e o sistema financeiro.

O governo Trump já havia designado cartéis mexicanos e organizações criminosas de países como Venezuela, Equador e Colômbia como terroristas. Em março deste ano, a Casa Branca criou a coalizão Escudo das Américas, reunindo governos alinhados a Washington para, oficialmente, combater o narcotráfico e afastar a influência econômica de adversários geopolíticos, como China e Rússia.

A justificativa do combate ao narcotráfico também foi usada para sequestrar o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e pressionar o México, ação que vem sendo denunciada pela presidenta mexicana Claudia Sheinbaum como interferência estrangeira em assuntos internos.

Quatro dias após o anúncio da classificação das facções brasileiras como terroristas, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou à Casa Branca a taxação de importações do Brasil em 25%, alegando supostas práticas comerciais desleais.

O documento também criticou o Pix brasileiro, apontando que o sistema estaria prejudicando empresas de pagamento dos EUA, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.

No dia seguinte às críticas ao Pix, o governo Trump anunciou intenção de taxar importações de 60 países, incluindo o Brasil, com tarifas adicionais de 10% ou 12,5%, sob a alegação de falhas no combate ao comércio de produtos feitos com trabalho forçado.