Política
Pré-candidato ao Senado, Gaspar está pronto para disputar governo
Nos bastidores, a leitura é de que Gaspar segue preparado para entrar na disputa pelo governo
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) foi ao rádio no início da semana passada e deixou o recado: é pré-candidato ao Senado. Repetiu a posição mais de uma vez e condicionou a decisão ao movimento do ex-prefeito JHC (PSDB), que é pré-candidato ao governo em 2026.
Não foi apenas uma entrevista. Foi um recado. Os fatos que vieram depois apontam em outra direção. O próprio Gaspar indicou que, em caso de recuo de JHC, vai disputar o governo. Outra condição ficou implícita: o alinhamento do ex-prefeito com o grupo liderado por Arthur Lira (PP).
Nos bastidores, a leitura é de que Gaspar segue preparado para entrar na disputa pelo governo. E os sinais recentes indicam afastamento, não aproximação do ex-prefeito de Maceió.
O primeiro movimento foi administrativo. Gaspar perdeu espaço na Prefeitura de Maceió. A Secretaria de Saúde saiu do seu controle e passou para o grupo do ex-deputado Celso Luiz. Não foi só ele. Arthur Lira já tinha perdido a Secretaria de Educação. E, nos últimos dias, o pré-candidato ao Senado Davi Davino Filho também perdeu as indicações que tinha no município.
Esse movimento atingiu também outros integrantes do mesmo campo político, como os deputados Arthur Lira, Fábio Costa e Marx Beltrão.
O segundo elemento ajuda a entender o cenário. As anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, divulgadas em fevereiro, funcionam hoje como roteiro. No documento, aparecem JHC e Gaspar como opções para o governo. Ao lado do prefeito, a indicação “conversar até 15 de março”. Ao lado de Gaspar, a observação: “o único que pedirá voto para mim”.
A sequência se cumpriu. A conversa com JHC ocorreu. O prefeito perdeu o comando do PL e migrou para o PSDB. Gaspar assumiu a presidência do PL e ganhou espaço no campo alinhado ao bolsonarismo.
Outro ponto também se confirmou. A referência a Arthur Lira se materializou no apoio à sua candidatura ao Senado dentro desse grupo, movimento tratado como prioritário pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O desenho começa a fechar. JHC reorganiza seu projeto fora do PL. Gaspar se consolida no campo bolsonarista. Lira vira principal nome do grupo para o Senado. Davi Davino Filho entra no grupo e pode ser o segundo nome ao Senado. E a relação entre esses atores e JHC não dá sinais, no momento, de recomposição.
Nesse contexto, a pré-candidatura ao Senado segue no discurso. Mas os movimentos recentes — perda de espaço na prefeitura, reorganização partidária e alinhamento nacional — apontam para outra possibilidade: a entrada de Gaspar na disputa pelo governo.
Com uma eleição nacional polarizada, ele passa a ser opção para garantir palanque competitivo ao grupo e, principalmente, para Flávio Bolsonaro em Alagoas. Mas essa é outra história.

