Eleições 2026

Paulo leva disputa com JHC para o terreno dos servidores e concursos

O Estado tem atualmente 46.210 servidores ativos e 35.446 inativos, totalizando 81.656 pessoas

Por Blog de Edivaldo Junior 27/07/2026 12h12
Paulo leva disputa com JHC para o terreno dos servidores e concursos
Paulo Dantas traz servidores públicos para o debate eleitoral. - Foto: Reprodução

O governador Paulo Dantas abriu nesta segunda-feira (27/07) uma nova frente no confronto com JHC. Depois da saúde, a disputa chegou aos concursos públicos e aos servidores — uma categoria que historicamente exerce influência política e eleitoral em Alagoas.

O Estado tem atualmente 46.210 servidores ativos e 35.446 inativos, totalizando 81.656 pessoas. A folha líquida dos ativos chega a aproximadamente R$ 278 milhões por mês. Entre aposentados e pensionistas, são outros R$ 248 milhões líquidos.

Somadas, as duas folhas movimentam cerca de R$ 526 milhões mensais, ou mais de R$ 6,3 bilhões por ano. São recursos que circulam no comércio, nos serviços e na economia de praticamente todos os municípios alagoanos.

O peso eleitoral pode ser ainda maior quando se consideram os familiares e as pessoas que dependem diretamente dessa renda. Foi para esse público que Paulo Dantas falou.

Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, o governador acusou JHC de não realizar nenhum concurso público durante os seis anos em que comandou a Prefeitura de Maceió.

Já pensou em uma gestão sem nenhum concurso público concluído em seis anos? O ex-prefeito de Maceió está exagerando na conversa mole no Instagram. Então vamos ter que mostrar os fatos e separar os homens dos meninos”, afirmou.

Paulo Dantas contrapôs a gestão estadual à administração municipal. Segundo ele, o Governo de Alagoas já nomeou durante o seu governomais de 2.700 concursados e está realizando o maior concurso público da história do Estado, com mais de 11 mil vagas.

“Aqui a gente fala a verdade, trabalha, entrega e presta bons serviços para o bem de cada um da sociedade”, concluiu.

A afirmação sobre a ausência de concursos concluídos em Maceió, no entanto, deverá provocar resposta do grupo de JHC. A Prefeitura publicou em março o edital do concurso da Guarda Civil Municipal, com 50 vagas imediatas e outras 50 para cadastro de reserva.

A gestão municipal também deverá argumentar que convocou aprovados em concursos anteriores e contratou profissionais por processos seletivos simplificados. Concurso e seleção temporária, contudo, são formas diferentes de ingresso no serviço público.

Concurso dá voto?

É difícil medir quantos votos um concurso pode produzir. Mas é possível afirmar que o tema desperta atenção.

Para quem busca uma vaga, concurso representa estabilidade e oportunidade de emprego. Para quem já está no serviço público, novas nomeações podem reduzir sobrecarga e melhorar as condições de trabalho. Para os sindicatos, entram na conta salários, progressões, previdência, estrutura dos órgãos e valorização das carreiras.

Em ano eleitoral, porém, existem limites. Desde 7 de abril, está proibida a concessão de revisão geral de salários acima da recomposição da inflação do próprio ano. A regra pretende evitar o uso da máquina administrativa em benefício de candidaturas.

Isso não impede que concursos, nomeações realizadas dentro da legislação e políticas para o funcionalismo sejam levados ao debate eleitoral. E serão.

Paulo Dantas tenta apresentar as nomeações e as 11 mil vagas anunciadas pelo Estado como prova de valorização do serviço público. Ao mesmo tempo, procura colocar JHC na defensiva, questionando o que o ex-prefeito entregou nessa área.

JHC poderá responder com o concurso da Guarda, com convocações de certames anteriores e com a ampliação de contratações na rede municipal. Mas terá de enfrentar uma comparação objetiva: quantos concursos foram lançados, quantos chegaram ao fim e quantos servidores efetivos tomaram posse em cada gestão?

Essa discussão interessa diretamente a mais de 81 mil servidores estaduais. E alcança milhares de concurseiros, temporários, terceirizados e familiares.

O funcionalismo já decidiu eleições em Alagoas? Isoladamente, provavelmente não. Mas sempre teve organização, capacidade de mobilização e presença nos municípios. Em uma disputa apertada, isso pode fazer diferença.

Paulo Dantas sabe disso. Por isso, depois dos hospitais, escolheu os concursos para o novo capítulo do bateu, levou.