Política

Lula critica paralisia da ONU e propõe nova governança democrática em fórum

Criado em 2024 por iniciativa de dirigentes progressistas como Lula e o espanhol Pedro Sánchez, o fórum busca ampliar a articulação internacional em defesa da democracia

Por Sputnik Brasil com Redação 18/04/2026 10h10
Lula critica paralisia da ONU e propõe nova governança democrática em fórum
Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (18) da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, realizada em Barcelona. O encontro reúne líderes de diferentes regiões para debater o fortalecimento das instituições democráticas e os desafios globais à governança.

Criado em 2024 por iniciativa de dirigentes progressistas como Lula e o espanhol Pedro Sánchez, o fórum busca ampliar a articulação internacional em defesa da democracia, diante do avanço de movimentos considerados autoritários.

Durante a reunião, Lula voltou a criticar a inação da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de crises internacionais.

"Veja, a ONU que teve força para criar o Estado de Israel não tem força, sequer, para manter o Estado palestino. Aliás, ela não tem força para manter as terras demarcadas, que foram demarcadas na própria ONU. Então a democracia que nós precisamos discutir aqui, entre chefes de Estado, é se o mundo vai continuar do jeito que está ou se nós vamos tentar mudar esse mundo", declarou.

A edição deste ano ocorre em um contexto de tensões internacionais, marcado por conflitos armados, especialmente no Oriente Médio, e por disputas políticas envolvendo grandes potências. O cenário reforça a necessidade de cooperação entre governos comprometidos com a estabilidade democrática.

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum", disse Lula ao criticar os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Lula também condenou conflitos ao redor do mundo, afirmando que decisões unilaterais, que não respeitam fóruns multilaterais, não contribuem para a democracia. Para o presidente, a ONU não pode permanecer silenciosa diante dos acontecimentos globais.

"Trump invadiu o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou Lula, ao defender que o mundo não precisa de guerras enquanto houver pessoas passando fome.

Segundo Lula, os desafios da democracia têm sido agravados pela ausência de regulação das redes sociais, que propagam discursos considerados por ele como "mentirosos" e que muitas vezes não são combatidos a tempo para que a verdade prevaleça.

O presidente também destacou a importância de fortalecer organismos multilaterais como o G20, a UNASUL e a CELAC. Para ele, a falta de institucionalidade muitas vezes faz com que prevaleçam as lideranças em detrimento dos próprios Estados, reforçando a necessidade de fortalecer a ONU e o multilateralismo.

"Estou preocupado com Cuba, muito preocupado com Cuba. Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não é um problema do Lula, da Cláudia [Sheinbaum] e do [Donald] Trump, é um problema do povo cubano. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que a gente fique quieto diante disso", afirmou.

Na véspera do fórum, Lula participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, voltada para o fortalecimento da parceria bilateral. O encontro teve início com uma reunião restrita entre os chefes de governo, seguida de uma plenária com ministros dos dois países, onde foram discutidas áreas estratégicas de cooperação.

Por Sputinik Brasil