Polícia

MPE apura morte de mulher baleada por PM durante abordagem em Maceió

Amanda Ruanne foi enterrada nesta segunda; família e policiais apresentam versões diferentes sobre o disparo

Por Esther Barros 08/09/2026 05h05
MPE apura morte de mulher baleada por PM durante abordagem em Maceió
. - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) acompanha a investigação sobre a morte de Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, baleada por um policial militar durante uma abordagem no bairro Jacintinho, em Maceió. 

A vítima foi enterrada nesta segunda-feira (7), enquanto familiares cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias do disparo.

Amanda morreu no sábado (5), após ser atingida durante uma ocorrência policial. Ela era mãe de dois filhos. No sepultamento, uma prima classificou o episódio como “muita covardia”, em meio à revolta de familiares com a forma como a abordagem aconteceu.

A promotora de Justiça Carla Padilha informou que o Ministério Público tomou conhecimento do caso pela imprensa e já solicitou informações à Polícia Civil. O órgão quer esclarecer, entre outros pontos, o que ocorreu durante a abordagem, se o disparo era necessário e se o policial agiu dentro dos limites previstos pela legislação.

A investigação ganhou atenção porque existem versões diferentes sobre a ocorrência. Familiares e testemunhas afirmam que Amanda teria sido abordada na porta de casa após retornar do barbeiro com um dos filhos. Segundo esse relato, o policial teria empurrado a mulher e efetuado o disparo em seguida.

A versão apresentada pela Polícia Militar é diferente. Conforme o registro da corporação, os agentes abordavam um homem que estaria com drogas e seria primo de Amanda. Durante a ocorrência, um grupo de mulheres teria avançado contra um dos policiais e tentado tomar a arma do militar. O agente afirmou ter efetuado o disparo para proteger a própria integridade física.

Para o Ministério Público, imagens das câmeras corporais dos policiais podem ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos. A promotora afirmou ter recebido a informação de que alguns agentes utilizavam câmeras próprias durante a ocorrência, mas que os equipamentos teriam sido desligados. O MP deverá verificar essa informação.

Outro ponto que será analisado é o atendimento prestado à vítima depois do disparo. Amanda foi levada em uma viatura policial para receber socorro, e o Ministério Público pretende esclarecer por que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não foi acionado.

A promotora também informou que serão analisados o laudo do exame cadavérico e o inquérito policial. Depois da apuração, caberá ao promotor que atua no Tribunal do Júri avaliar as circunstâncias da morte e decidir se existem elementos para eventual denúncia contra o policial responsável pelo disparo.

Até o momento, o Ministério Público afirma que não pretende antecipar uma conclusão sobre a conduta do militar. A investigação deverá esclarecer a dinâmica da abordagem, a necessidade do uso da arma de fogo e o que ocorreu antes e depois do disparo.