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Selma Bandeira: 40 anos depois, memória da deputada segue viva em AL
Parlamentar morreu em acidente na Ladeira de Satuba, em 1986, e deixou trajetória marcada pela atuação política e social
Quatro décadas após a morte de Selma Bandeira, a trajetória da ex-deputada estadual continua sendo lembrada em Alagoas. Ela morreu em 7 de setembro de 1986, aos 40 anos, em um acidente ocorrido na Ladeira de Satuba, quando seguia para um comício em Viçosa.
Selma estava em um Corcel II acompanhada de outras três pessoas: a enfermeira Noraci Pedrosa, o motorista Calheiros e o assessor parlamentar Adalberon. Segundo relatos publicados, um caminhão carregado de madeira atravessou a pista na contramão e atingiu o veículo.
Os quatro ocupantes morreram no acidente.
A morte provocou forte repercussão em Maceió. O sepultamento reuniu uma grande quantidade de pessoas e, o cortejo se estendeu por cerca de 10 quilômetros.
Natural de Delmiro Gouveia, Selma estudou em escolas públicas e formou-se em Medicina, com atuação na área de pediatria. Também fez pós-graduação em Saúde Pública e foi professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Antes de entrar na política institucional, Selma viveu anos de perseguição durante a ditadura militar por sua atuação política.
Selma utilizou diferentes identidades e trabalhou como médica em estados do Nordeste e em São Paulo enquanto permanecia na clandestinidade.
Ela acabou presa e torturada durante o período de repressão e posteriormente deixou o Presídio Feminino Bom Pastor após a Lei da Anistia.
De volta a Alagoas, Selma recebeu apoio do então governador Guilherme Palmeira e passou a atuar na área da saúde. Posteriormente, filiou-se ao MDB e disputou uma vaga na Assembleia Legislativa.
Eleita deputada estadual, construiu um mandato marcado pela atuação em pautas sociais e por enfrentamentos políticos. Entre as bandeiras citadas no relato estão a defesa de trabalhadores, mulheres, negros, povos originários e da comunidade LGBT.
A vida pessoal de Selma também esteve ligada à política. Ela foi casada com Luiz Dantas, com quem iniciou um processo de adoção que não chegou a ser concluído devido à sua morte.
Quarenta anos depois do acidente, a história da deputada permanece associada à memória política de Alagoas e ao período de transição entre a ditadura militar e a redemocratização do país.
