Polícia
Policial militar apontado como autor de disparo que matou Gabriel Lincoln é promovido
Decisão gera críticas e questionamentos sobre a conduta da corporação
O policial militar de Alagoas acusado de efetuar o disparo que matou o adolescente Gabriel Lincoln, em maio de 2025, foi promovido ao posto de 1º sargento da PMAL. O caso ocorreu em Palmeira dos Índios, durante uma abordagem policial, quando o jovem foi atingido pelas costas ao tentar fugir de uma ordem de parada.
Segundo os agentes envolvidos, Gabriel teria desobedecido e disparado contra a guarnição. A investigação da Polícia Civil, porém, concluiu que o adolescente estava desarmado e que houve tentativa de forjar a cena, com a apresentação de um revólver como se fosse da vítima. O militar foi indiciado por homicídio culposo, e os três envolvidos também respondem por fraude processual, prevista na Lei de Abuso de Autoridade.
O assistente de acusação, Gilmar Mendes, declarou à TV Pajuçara/Record que recebeu a notícia da promoção com “insatisfação” e “indignação”. Segundo ele, já foi protocolado pedido para que o Ministério Público cobre explicações do Comando-Geral da PMAL. Para Mendes, “promover um militar que responde por homicídio contra um menor de idade é algo desarrazoado. Isso gera revolta e transmite à sociedade uma sensação de impunidade”.
Em outubro de 2025, a Justiça havia determinado o afastamento preventivo dos três policiais, impedindo-os de exercer qualquer função na corporação até o fim do processo criminal. Apesar disso, não há informações oficiais sobre os motivos que levaram à promoção do indiciado.
Divergência entre MP e Polícia Civil
Enquanto a Polícia Civil apontou que o disparo foi acidental, o Ministério Público de Alagoas sustenta que houve homicídio com dolo eventual, já que o militar teria assumido o risco ao atirar em direção ao adolescente.
O caso
Gabriel Lincoln, que estudava pela manhã e ajudava a família à noite em uma pizzaria, teria se assustado com a abordagem policial e acelerado a motocicleta. A perseguição terminou com o tiro que atingiu suas costas.
Testemunhas apresentaram versões diferentes da relatada pelos policiais, e um exame residuográfico confirmou que “não foram encontrados resíduos determinantes de disparo de arma de fogo” nas mãos do adolescente.


