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Como os EUA buscam mobilizar a América Latina em torno de seus interesses

A Casa Branca articula uma reaproximação dos países latino-americanos em torno de uma versão atualizada da Doutrina Monroe

Por Sputnik Brasil com Redação 09/07/2026 07h07
Como os EUA buscam mobilizar a América Latina em torno de seus interesses
Foto: © AP Photo / Rod Lamkey

Autoridades norte-americanas apresentaram uma nova estratégia de segurança para a América Latina, com foco em fortalecer a cooperação com governos aliados, ampliar investimentos em defesa e neutralizar a atuação de potências externas na região.

A Casa Branca articula uma reaproximação dos países latino-americanos em torno de uma versão atualizada da Doutrina Monroe, estratégia histórica que busca reforçar a influência dos EUA no continente. O plano prevê maior colaboração em temas de segurança, combate ao narcotráfico e contenção da presença chinesa na região.

Durante a Conferência de Ministros da Defesa das Américas, realizada em Cusco, no Peru, o principal assessor político do Pentágono, Elbridge Colby, apresentou a chamada "Doutrina Donroe" — um trocadilho com o sobrenome do ex-presidente Donald Trump — para ilustrar a nova abordagem de Washington para o Hemisfério Ocidental.

Colby destacou que a política de defesa dos EUA agora integra prioridades como o combate ao narcotráfico, a migração irregular e a segurança regional. Segundo ele, o Pentágono já conduz operações contra embarcações ligadas ao tráfico de drogas e promove ações conjuntas com governos parceiros, como está ocorrendo atualmente com o Equador.

O assessor reconheceu que a referência à Doutrina Monroe é alvo de críticas devido ao histórico de intervenções dos EUA na América Latina, mas afirmou que a estratégia atual pretende "empoderar" os países da região, fortalecendo sua própria segurança e a defesa de interesses comuns.

Ele também negou que Washington adote uma política imperialista e argumentou que, graças à força de sua economia e mercado interno, os EUA não dependem da exploração de outros países. Em vez disso, afirmou, buscam contribuir para que as nações latino-americanas garantam a estabilidade continental.

O discurso ocorreu em meio a um cenário de mudanças políticas na região, com a ascensão de governos e candidatos de direita em países como Argentina, Equador, Panamá, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia — movimento que analistas consideram um retrocesso em relação à chamada "onda rosa" de governos progressistas.

No caso colombiano, Colby ressaltou a disposição do novo presidente, Abelardo de la Espriella, em aderir ao programa Escudo das Américas, intensificar o combate ao narcotráfico e fortalecer a cooperação com Washington, além de adotar políticas econômicas mais alinhadas com as prioridades dos EUA.

Segundo veículos de imprensa ocidentais, os Estados Unidos também aproveitaram o encontro para incentivar países latino-americanos a elevar os gastos em defesa e proteger infraestruturas estratégicas contra a influência de atores externos, em referência velada à China, cujo peso econômico crescente é visto por Washington como um dos principais desafios geopolíticos na região.