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Síndico preso por matar corretora ocultou parte das câmeras, diz polícia
Delegado conta que todas as câmeras estavam funcionando. Síndico confessou o crime à polícia e está preso
O síndico Cléber Rosa de Oliveira, preso por matar a corretora Daiane Alves Souza, entregou à polícia imagens de apenas três das dez câmeras de monitoramento conectadas ao sistema de gravação do prédio onde o crime ocorreu, em Caldas Novas (GO). A informação foi confirmada pelo delegado André Luiz Barbosa, responsável pelo caso.
Daiane foi assassinada após descer ao subsolo do edifício para restabelecer o fornecimento de energia em seu apartamento. Cléber confessou o crime e permanece detido. Em nota, a defesa informou que ele está à disposição da Justiça e que as manifestações ocorrerão exclusivamente nos autos do processo.
Segundo a investigação, o prédio possuía 11 câmeras instaladas e todas estavam em funcionamento no dia do crime. No entanto, apenas dez estavam conectadas ao gravador digital (DVR); uma operava com cartão de memória. Quando a Polícia Civil solicitou as imagens, o síndico contratou um prestador de serviços para extrair o material, mas repassou somente parte dos registros.
“Ao analisarmos o conteúdo, percebemos que as imagens não estavam completas. Tivemos que trabalhar sem registros de entrada, saída e fluxo de pessoas”, explicou o delegado. A ausência de gravações consideradas estratégicas dificultou a reconstituição inicial da dinâmica do crime.
Diante da limitação do material entregue, a polícia ouviu o técnico contratado para a extração das imagens. De acordo com o delegado, o profissional afirmou não saber que Daiane estava desaparecida e disse ter recebido orientação apenas para copiar os arquivos e encaminhá-los às autoridades.
Além das câmeras do condomínio, a investigação ganhou um elemento central: um vídeo gravado pelo próprio celular de Daiane no momento em que ela foi atacada. No dia do crime, a corretora registrava a queda de energia e enviava vídeos a uma amiga. A gravação que mostra a abordagem do síndico, porém, não chegou a ser enviada.
Nas imagens, é possível ver Daiane chegando ao subsolo e se dirigindo aos quadros de energia. O síndico aparece no local usando luvas e com a caminhonete posicionada estrategicamente. “Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota aberta. Estacionou o veículo próximo ao ponto onde pretendia render a vítima”, detalhou o delegado João Paulo Mendes.
O celular da corretora foi encontrado 41 dias após o crime, dentro de uma caixa de esgoto do prédio. O local foi indicado pelo próprio síndico após a prisão. O aparelho foi submetido à perícia no fim de janeiro, o que permitiu a recuperação do vídeo e o avanço das investigações.


