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Polícia mantém buscas em mansão após liberar ex-príncipe Andrew

Apesar das negativas, a divulgação de milhões de documentos pelo governo dos Estados Unidos revelou que Andrew manteve contato com Epstein

Por Agência Brasil com Redação 20/02/2026 11h11
Polícia mantém buscas em mansão após liberar ex-príncipe Andrew

A polícia britânica realizou, nesta sexta-feira (20), novas buscas na antiga mansão de Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles, um dia após o ex-príncipe ser visto deixando uma delegacia de polícia, em imagens divulgadas pela imprensa internacional.

Mountbatten-Windsor foi detido na quinta-feira (19), data em que completou 66 anos, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. As investigações apontam que ele teria enviado documentos confidenciais do governo britânico ao financista Jeffrey Epstein, enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.


O ex-príncipe foi liberado sob investigação após permanecer detido por mais de 10 horas. Ele não foi formalmente acusado, mas demonstrava abatimento em uma foto da Reuters, publicada após sua liberação, onde aparece encurvado no banco traseiro de um Range Rover, com olhos vermelhos e expressão de incredulidade.

A imagem, que mostra um homem que já foi considerado um elegante oficial da Marinha e o filho favorito da falecida rainha Elizabeth, estampou a primeira página de jornais no Reino Unido e no exterior, acompanhada de manchetes como "Queda".

Andrew sempre negou qualquer envolvimento irregular com Epstein, criminoso sexual condenado que morreu em 2019, e declarou arrependimento pela amizade.

Apesar das negativas, a divulgação de milhões de documentos pelo governo dos Estados Unidos revelou que Andrew manteve contato com Epstein mesmo após a condenação do financista, em 2008, por solicitação de prostituição de menor.

Esses arquivos sugerem que Mountbatten-Windsor teria repassado a Epstein relatórios do governo britânico sobre oportunidades de investimento no Afeganistão, além de avaliações sobre o Vietnã, Cingapura e outros países visitados por ele como representante especial.

A prisão de um membro sênior da realeza, oitavo na linha de sucessão ao trono, é um fato inédito nos tempos modernos. O último membro da família real detido no Reino Unido foi Carlos I, executado em 1649 após ser condenado por traição.

No ano passado, o rei Charles retirou o título de príncipe de Andrew e determinou sua saída da residência em Windsor. Nesta quinta-feira, Charles declarou ter recebido a notícia da prisão do irmão com "profunda preocupação".

"Deixe-me afirmar claramente: a lei tem que seguir seu curso", afirmou o rei.

"O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes."