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Cannabis medicinal: tratamento transforma vida de criança alagoana em Pilar
Nova legislação aprova a venda de medicamentos em farmácias de manipulação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última quarta-feira (28), a nova legislação que amplia e revoluciona o acesso a terapias à base de cannabis no Brasil. A medida beneficia diretamente inúmeras famílias brasileiras que tiveram as vidas transformadas a partir do uso medicinal da planta, como é o caso do Heitor.
Natural de Pilar, região metropolitana de Maceió, o pequeno Heitor, de 7 anos, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele foi diagnosticado aos 2 anos de idade e passou por uma jornada até a adesão do tratamento, feita há apenas 6 meses, com desafios de interação, fala e desenvolvimento, que tiveram avanços significativos a partir do uso de um medicamento à base da cannabis.
Segundo a mãe de Heitor, a superior em marketing Paula Braz, além do TEA, Heitor recebeu o diagnóstico de Deficiência Intelectual (DI). Não verbal e com alta seletividade alimentar, Heitor possuía dificuldades de concentração e interação. Foi aí que a família decidiu fazer a adesão ao tratamento.
Paula também contou que o primeiro medicamento foi adquirido pelos próprios familiares, mas que custou um valor alto. O segundo medicamento já foi adquirido com ajuda de um ofício encaminhado à Secretaria de Saúde da Prefeitura de Pilar.
“Para gente é importantíssimo o uso da cannabis, uma vez que promete melhoras significativas na concentração, coordenação e fala, principalmente na fala, uma vez que Heitor é autista não verbal”, declarou.
Melhora
Depois de apenas seis meses de uso, o tratamento, aliado a várias terapias que auxiliam Heitor, transformou a vida do pequeno.
“Percebemos uma melhora significativa, Heitor está mais concentrado, se alimenta melhor, praticamente zero seletividade alimentar, dorme a noite toda, quer falar algumas palavras, e perdeu o medo de socializar. Ele agora brinca com outras crianças e em vários brinquedos. Às vezes parece que estou vivendo um sonho”, disse a mãe de Heitor, emocionada.

Benefícios da cannabis medicinal
De acordo com o Dr. Renato Anghinah, professor livre docente em neurologia da Universidade de São Paulo (USP), o autismo é onde o tratamento com cannabis têm se mostrado mais robusto, tanto que as duas indicações iniciais dos produtos à base da planta - não só no Brasil - foram para síndromes epiléticas refratárias e pacientes autistas.
“Principalmente nesse lado comportamental do autismo. As crianças muito agitadas passaram a ter um autocontrole maior e uma interatividade maior. Então a síndrome do espectro autista e a epilepsia foram as mais bem documentadas com estudos clínicos mais bem realizados”, explicou.
Legislação
Em Alagoas, a Lei Estadual nº 8.754/22, de autoria do ex-deputado Lobão (MDB), garantiu o acesso universal a medicamentos a base de cannabis em Alagoas. Lobão comemorou a nova decisão da Anvisa em suas redes sociais.
“Como autor da lei estadual Nº 8.754/22, pelo acesso universal aos tratamentos com Cannabis em Alagoas, fico muito feliz de ver o avanço acontecer para todo o país. Pessoas com Fibromialgia, Endometriose, Alzheimer e outras condições, poderão ter boas novidades em breve. É ciência e saúde pública. Vamos em frente!”, declarou.
A redução de custos relacionados à importação dos medicamentos facilita o acesso, transformando a realidade de muitas famílias como a da Paula.
“Estou muito feliz com a aprovação da nova legislação pela Anvisa, uma vez que com a liberação do cultivo para uso medicinal, tenha uma possível redução de custo em comparação com a necessidade de importação”, concluiu a mãe de Heitor.
*Estagiária sob supervisão


