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Ingressos encalhados aumentam risco de estádios vazios na Copa do Mundo

Por Sputnik Brasil 09/06/2026 12h12
Ingressos encalhados aumentam risco de estádios vazios na Copa do Mundo
Foto: © AP Photo / Eduardo Munoz Alvarez

O acúmulo de ingressos não vendidos e a queda nos preços evidenciam o risco de estádios vazios na Copa do Mundo, que começa em poucos dias. Quase 180 mil bilhetes seguem disponíveis nas plataformas oficiais, com desvalorização média de 20% e grande disparidade na procura entre as seleções, mesmo diante da expectativa de arrecadação recorde da Fifa.

Com a proximidade do torneio, 180 mil ingressos seguem encalhados nas plataformas oficiais de revenda, pressionando os preços e deixando cambistas entre os primeiros derrotados. O valor médio dos bilhetes caiu 20% em apenas um mês e, devido à taxa de revenda de 26%, muitos vendedores já registram prejuízo.

O portal da Fifa ainda lista 176 mil ingressos disponíveis apenas para a fase de grupos, revelando forte desigualdade no interesse entre as seleções. Partidas do Irã, por exemplo, têm cerca de 16 mil bilhetes ainda à venda. Até mesmo os Estados Unidos, país-sede, enfrentam dificuldades: 4.400 ingressos seguem disponíveis para a estreia contra o Paraguai, mesmo após descontos.

Além do mercado de revenda, a Fifa mantém cerca de 15 mil ingressos primários para a fase de grupos. O risco de assentos vazios preocupa a entidade, que aumentou substancialmente os preços em relação a edições anteriores, justificando a decisão com base no mercado local.

O torneio será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.

De acordo com a mídia britânica, a política de preços variáveis e os valores iniciais elevados geraram forte reação de torcedores e políticos. Procuradores de Nova York e Nova Jersey abriram investigações sobre o que classificaram como preços "incrivelmente altos".

Segundo a imprensa internacional, grupos de fãs estimam que acompanhar uma seleção custará cinco vezes mais do que na edição anterior do torneio.

A final em Nova Jersey ilustra a escalada dos valores: ingressos começam em US$ 4.185 (R$ 21.015) e chegam a US$ 8.680 (R$ 43.553) na categoria premium. Apesar disso, a Fifa afirma que a demanda é robusta e que o site já recebeu mais de 500 milhões de solicitações. A entidade projeta arrecadar mais de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,06 bilhões) com ingressos e hospitalidade.

Mesmo seleções com forte investimento em imagem, como a Arábia Saudita, enfrentam baixa procura: em média, 3.900 ingressos seguem disponíveis por jogo, com preços já abaixo do valor de face. Cabo Verde, adversário na fase de grupos, atrai interesse semelhante, apesar da população reduzida.

No extremo oposto, México, Colômbia e Escócia impulsionam o mercado secundário. Jogos do México contam com apenas 300 ingressos disponíveis por partida, negociados por até quatro vezes o valor original. A Colômbia lidera a valorização, com bilhetes alcançando seis vezes o preço inicial, enquanto ver a Escócia — de volta ao Mundial após 1998 — custa até 85% acima do valor de lançamento, segundo apuração.