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Alagoano Ítallo França revela bastidores de música do novo disco de Anitta

Cantor e compositor arapiraquense participou da criação de "Ogum Me Rodeia", 11ª faixa do disco 2 de Equilibrivm, com participação de Letícia Fialho e Maria Bethânia

Por Jamerson Soares 26/07/2026 14h02 - Atualizado em 26/07/2026 21h09
Alagoano Ítallo França revela bastidores de música do novo disco de Anitta
Letícia Fialho, Ítallo França e Paulo Novaes durante composição da música "Ogum Me Rodeia", em São Paulo - Foto: Arquivo pessoal

Na última sexta-feira (24), a segunda parte do álbum Equilibrivm, da cantora brasileira Anitta, foi lançada em todas as plataformas digitais. Junto a visuais que enchem os olhos de ternura e ancestralidade poética, o projeto teve direção de Nídia Aranha e participações especiais de nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença e Mart'nália.

Alagoas não ficou de fora do elenco: a 11ª faixa do álbum, intitulada "Ogum Me Rodeia", foi assinada pelo cantor e compositor arapiraquense Ítallo França, ao lado de outros letristas e poetas.

Com produção musical de Érica Silva, a canção conta com a participação da cantora Letícia Fialho e da própria Maria Bethânia, que declama um poema ao final da composição. A música é considerada um amuleto de proteção para ser ouvido em momentos de dificuldades cotidianas, especialmente no Brasil.

Ogum é um orixá das religiões de matriz africana, conhecido como o senhor da tecnologia, da coragem, dos caminhos, das estradas, da guerra e do ferro. A canção utiliza imagens e expressões populares para associar a divindade à figura do guerreiro protetor, sincretizado com São Jorge — uma figura extremamente popular no país. É uma composição que desperta coragem e positividade.

Em entrevista ao Jornal de Alagoas, Ítallo França contou que a música foi composta por ele, pela cantora Letícia Fialho e por Paulo Novaes. O convite para integrar a equipe veio a partir de Janluska, amigo de Ítallo e produtor reconhecido em São Paulo por trabalhos com grandes artistas, como Anavitória e Marina Sena.

"Ele ficou entusiasmado com o Catatau, disco que lancei em maio. Gostou muito da produção, conversou comigo — a gente já se conhecia —, e nessa mesma época me falou sobre a possibilidade de participar do projeto", relatou o alagoano.

Paulo Novaes, parceiro de composição de Ítallo há algum tempo, é um amigo em comum entre ele e Janluska. No convite conjunto, Letícia Fialho também foi integrada ao grupo, já que a artista é ouvida com frequência por Anitta por meio da faixa "Corpo e Canção", do álbum Maravilha Marginal (2018). "Fomos convidados para somar criatividade e trazer ideias para o disco", explicou Ítallo.

Sobre a repercussão do trabalho, Ítallo expressou gratidão e felicidade nas redes sociais ao compartilhar a lista de compositores. Para ele, a ficha ainda não caiu. "É um acontecimento tão grande que a gente não tem dimensão. Creio que só vou processar inteiramente com o passar dos dias (ou não)", disse, aos risos.

Processo de criação

Ítallo, que mora em São Paulo há três anos, contou que começou a compor a música entre meados de maio e junho de 2026 de forma coletiva com Letícia e Paulo. A melodia ficou a cargo de Letícia e Paulo, enquanto Ítallo construiu a letra. "Boa parte da letra fui eu que fiz", destacou.

Antes de criar, os artistas receberam um briefing de Anitta e sua equipe com direcionamentos para a composição.

"A gente tinha a ideia de fazer uma música sobre Ogum, o sincretismo da fé, da religião, do candomblé com o catolicismo e o cristianismo no Brasil, trazendo isso para a realidade brasileira. Esse era mais ou menos o briefing, e a partir daí fui desenvolvendo a letra", relatou.

Segundo o compositor alagoano, ele escreveu a letra inteira e enviou a primeira versão aos colegas. Depois, o trabalho foi compartilhado com a equipe para receber sugestões de lapidação. 

"A melodia do refrão foi muito desenvolvida pela Letícia, e eu fui escrevendo a letra em cima do refrão me baseando nisso. A Nídia Aranha também estava presente no encontro de criação e foi direcionando algumas coisas da nossa poesia. Ficamos fascinados já no primeiro dia e muito entusiasmados com o resultado."

Participação de Anitta

Ítallo relatou que não houve uma reunião presencial com Anitta porque a cantora estava fora do Brasil na época. No entanto, ela participou ativamente da reformulação da faixa. A primeira versão da letra, inclusive, foi ajustada pela própria artista.

"Ela ouviu e achou que o refrão poderia ter mais elementos de Ogum. E aí nós mexemos. Foi o único momento em que tivemos que reformular e rediscutir a música, pois foi relativamente rápido de fazê-la", disse o compositor.

Em vídeo divulgado nas redes sociais em que comenta faixa a faixa do álbum, Anitta destacou que "Ogum Me Rodeia" é uma música que não para de ouvir. Para ela, trata-se de uma canção atemporal sobre a energia de proteção a todos os trabalhadores do Brasil.

"Acho que é uma força muito brasileira, muito carioca, uma força que dá proteção aos trabalhadores. É sobre batalhar todos os dias para buscar o seu. Isso fez muito parte da minha vida. Era na energia de Ogum que eu me apegava para conseguir hoje minhas férias e meu descanso, e durante anos foi a essa energia que me apeguei", explicou a cantora.

Sobre Ítallo França

Cantor e compositor nascido em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, Ítallo França trilha há anos uma carreira independente na Música Popular Brasileira, transitando entre o samba, a poesia e uma observação afiada sobre a sociedade.

França iniciou sua trajetória em 2014. Dois anos depois, lançou o primeiro álbum, intitulado Casa (2016), seguido por O Time da Mooca (2020), Tarde no Walkíria (2023) e Catatau (2026). 

Seu trabalho mais recente expande o universo do cotidiano, a memória e o amor com uma sonoridade coletiva e inventiva, resgatando a atmosfera interiorana que faz parte de sua vida. O disco conta ainda com participações especiais de artistas como Tori, Marina Nemesio e Zé Ibarra.

Com uma voz singular e uma sonoridade que flerta com o lo-fi brasileiro, o artista transforma o cotidiano, a memória, a política, o amor e as contradições do país em canções marcadas por sensibilidade e profundidade emocional.

No Spotify, Ítallo tem mais de 55 mil ouvintes. Já no Instagram, o cantor está com quase 10 mil seguidores.