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Bloco Vulcão da PM-AL celebra 90 anos de folia e tradição em Maceió
Desfile de 2026 reuniu milhares de foliões na orla da capital e homenageou os 194 anos da Polícia Militar de Alagoas
Tradição, segurança e folia marcaram a celebração dos 90 anos do Bloco Vulcão da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), realizada no domingo (8), durante as prévias carnavalescas de Maceió. Nem mesmo as fortes chuvas que atingiram a capital alagoana foram capazes de impedir o desfile do bloco, considerado o mais antigo em atividade no estado.
Ao som de frevo e axé, puxados pela Banda Vulcão, do Centro Musical da PM-AL, uma multidão cantou e dançou ao longo da orla marítima. O cortejo integrou a programação do tradicional Banho de Mar à Fantasia e reuniu policiais militares da ativa e da reserva, familiares, amigos e integrantes da sociedade civil.
Com nove décadas de história, o Vulcão é reconhecido pela memória afetiva dos alagoanos como o “bloco mais seguro do Brasil”. A edição de 2026 voltou a ocupar a orla de Maceió e reforçou o caráter familiar da agremiação, que mantém sua presença constante nas prévias carnavalescas da capital.

A concentração teve início no Espaço Geruza Malta, onde ocorre aos domingos o programa Vem Ver a Banda Tocar. Ainda no local, uma fração da Banda da PM animou os foliões no chamado “esquenta”. No início da tarde, o desfile ganhou as ruas, partindo do Marco dos Corais em direção à Roda Gigante de Maceió.
Além dos 90 anos do bloco, o desfile deste ano também prestou homenagem aos 194 anos da Polícia Militar de Alagoas, celebrados no último dia 3. O subcomandante-geral da PM, coronel Neyvaldo Amorim, destacou a importância simbólica do evento para a corporação.
“É uma data muito forte. São 90 anos de um bloco de família, um bloco dos militares. A Polícia Militar tem um papel importante na segurança pública e, neste último domingo de prévias, os militares aproveitam para estar com seus familiares, já que a partir da próxima semana, com o início do Carnaval, todo o nosso efetivo estará mobilizado na segurança em todo o estado. Por isso, esse momento é muito significativo para nós. 90 anos é uma marca que merece ser celebrada”, enfatizou o coronel Neyvaldo.

O diretor de Comunicação Social da PM, tenente-coronel Sílvio Lúcio, ressaltou o caráter social do bloco, além de seu valor cultural. “A festa se transforma em solidariedade. É uma iniciativa que surgiu e se consolida ao longo de 90 anos como uma atividade sem fins lucrativos. É um bloco de uma instituição pública, com sua própria banda, mas do povo e para o povo. Não existe corda, é para que a população brinque com ou sem a camisa oficial. Mas aqueles que adquirem o abadá social estão contribuindo com instituições filantrópicas para onde os alimentos não perecíveis arrecadados serão distribuídos”, destacou.
Mesmo sem o estandarte, símbolo maior do bloco, a tradição foi mantida. A ausência do objeto ocorreu por cautela, para evitar danos. Ainda assim, a alegria tomou conta dos foliões. “Com certeza, a gente não pode deixar de estar presente, né? A chuva quis atrapalhar um pouco. Mas eu estou aqui para fazer valer esses 90 anos do Bloco Vulcão, que é uma maravilha!”, declarou o professor Eraldo Ferraz.

Entre as autoridades presentes estiveram o diretor de Finanças da PM, coronel Fernando Gláucio; o comandante da Academia de Polícia Militar Senador Arnon de Mello, coronel Carlos Azevedo; o coronel da reserva Maxwell Santos; e os coronéis Marcos Sampaio e Wellington Bittencourt, ex-comandantes-gerais da corporação. A tenente-coronel Josiene Lima, superintendente do Programa Ronda no Bairro, também participou do evento.
Música e segurança
O refrão “Só pode ser o Vulcão. É com certeza o Vulcão”, do hino “Toque de Reunir”, composto por Edécio Lopes, ecoou ao longo do percurso. Do trio elétrico, a sargento Cláudia Pollyane, integrante da Banda Vulcão, falou sobre a experiência de participar do desfile. “Este é o meu quarto ano participando e posso dizer que a gente só evolui. Ano após ano, mostramos essa cultura incrível que é a tradição do Bloco Vulcão”, afirmou.

Para garantir a tranquilidade dos foliões, o Banho de Mar à Fantasia contou com uma Ordem de Policiamento específica. O Comando de Policiamento da Região Metropolitana, em conjunto com o Comando de Missões Especiais, empregou mais de 160 policiais ao longo da orla, distribuídos em dois setores e dois turnos.
Foram utilizadas 17 equipes motorizadas em viaturas, seis motocicletas, seis conjuntos de Cavalaria e patrulhas a pé. Além do CPRM, atuaram no evento o Batalhão de Polícia de Trânsito, o Regimento de Polícia Montada e as companhias independentes de Raio e Choque.
Bloco mais antigo em atividade
O Bloco Vulcão surgiu em 1936, quando policiais militares, impedidos de participar do Carnaval devido ao serviço, decidiram criar uma agremiação que desfilasse após as festas de Momo. A iniciativa partiu de integrantes da Banda de Música Isaac Galvão Cruz e de outros músicos da PM alagoana.
Após períodos de interrupção entre 1940 e 1947 e novamente em 1958, o bloco retomou suas atividades em 1974, sob coordenação da então 5ª Seção do Estado Maior-Geral, atual Diretoria de Comunicação Social, responsável pela organização até hoje. Em 1990, o Vulcão retornou de forma definitiva, consolidando-se como o bloco mais antigo em atividade em Alagoas.

Durante a pandemia da Covid-19, em 2021 e 2022, a PM promoveu o Carnaval em formato de transmissões ao vivo. O retorno às ruas ocorreu em 2023, mantendo-se até a edição comemorativa de 2026. Prestes a completar um século, o Bloco Vulcão segue como referência cultural e afetiva para gerações de alagoanos.
*Com informações da Ascom PM/AL


