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2ª Mostra de Teatro de Bonecos de Alagoas reúne 8 grupos em Maceió

Evento tem entrada gratuita e celebra o mamulengo como expressão popular nordestina

Por Agência Alagoas 26/01/2026 16h04
2ª Mostra de Teatro de Bonecos de Alagoas reúne 8 grupos em Maceió
Bonecos ganham voz para contar histórias que atravessam o tempo e seguem vivas no cotidiano nordestino - Foto: Divulgação

A tradição do teatro de bonecos volta a ganhar corpo, voz e riso em Maceió, com a realização da 2ª Mostra de Teatro de Bonecos de Alagoas, no dia 31 deste mês, às 14h, na Instituição Ouro Preto, localizada no bairro Ouro Preto. Gratuito e aberto ao público, o evento reúne oito grupos de bonequeiros de Maceió, Marechal Deodoro e Arapiraca, celebrando o mamulengo como expressão viva da cultura popular nordestina.

A mostra propõe quase cinco horas de programação, combinando apresentações artísticas, atividade formativa e momentos de conversa direta entre artistas e público. Logo na abertura, os bonecos gigantes do Bloco Carnavalesco Bonecos da Cidade, do Mestre Prego, tomam conta do espaço e anunciam a tarde dedicada à imaginação e à memória popular.

Pela manhã, às 10h, o evento recebe crianças a partir de 8 anos para a Oficina de Criação de Mamulengo, ministrada por Daniel Silva, da Trupe Canguelê. Com dez vagas disponíveis, a atividade apresenta técnicas básicas de confecção e manipulação dos bonecos, além de contextualizar a história dessa tradição passada de geração em geração.

À tarde, o público acompanha oito espetáculos, todos com cerca de 20 minutos de duração, intercalados por pequenos intervalos. No meio da programação, a roda de conversa “Mamulengo em Alagoas: memórias, desafios e horizontes” abre espaço para relatos de trajetória dos bonequeiros, reflexões sobre políticas públicas para o setor e troca direta com a plateia. 

Para a secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, a mostra legitima o valor simbólico e afetivo do teatro de bonecos para a cultura alagoana. 

“O mamulengo carrega histórias, sotaques, saberes e tradição. Quando abrimos espaço para esses encontros, estamos permitindo que o público reconheça no boneco um espelho da nossa própria vivência, da nossa forma de contar o mundo e de atravessar o tempo com arte”, destaca a secretária.  

A segunda edição da mostra acontece de forma presencial após a estreia em 2021, realizada em ambiente virtual durante a pandemia. O retorno ao contato direto entre artistas e público marca um novo momento para os grupos participantes e para quem acompanha de perto essa linguagem popular, construída com bonecos de luva esculpidos em madeira, música ao vivo, improviso e personagens que atravessam gerações.

O projeto é realizado pela Camilo Produções e Eventos, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (Minc). Em Alagoas ele é operacionalizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult).

Segundo o idealizador da mostra, o produtor cultural Ricardo Camilo, o evento nasce do desejo de manter viva a cena bonequeira no estado e ampliar o alcance dos artistas.

“Para mim, é uma grande oportunidade de trazer o Teatro de Bonecos para o centro da cena, com mais visibilidade e cuidado, uma vez que a gente trabalha pensando na salvaguarda dessa linguagem. Na primeira mostra, em 2021, tivemos o apoio da Secult, quando foi possível realizar três dias de lives para ajudar os bonequeiros que estavam parados naquele momento. Não era um projeto de edital, foi uma iniciativa da Camilo Produções, e deu muito certo. Agora, essa segunda edição reúne vários bonequeiros de Alagoas, cada um com sua história, seus talentos e suas formas de manipulação. Vai ser um momento muito bonito”, afirma.

Ricardo também destaca que a mostra dialoga com experiências vividas fora do país e com redes nacionais e internacionais do teatro de bonecos. “Participei de um festival na Rússia com meu grupo, junto com Antônio Canguelê, e, lá, assumimos o compromisso de divulgar a cultura bonequeira em nossos estados. Essa mostra é uma forma de colocar isso em prática. Além disso, faço parte da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos, ligada à Unima Internacional, e do CIOFF Brasil. O evento será divulgado nessas redes, o que amplia ainda mais o alcance dos grupos participantes”, completa.

 

Confira a programação:

 

Oficina de Criação de Mamulengo (Atividade Formativa)


10h -11h - Oficina: Confecção de Mamulengo Ministrante: Daniel Silva (Trupe Canguelê)

Público: Crianças a partir de 8 anos

Vagas: 10 participantes

Inscrição: No local, por ordem de chegada

Materiais: Fornecidos pela organização

Certificado: Comprovante de participação

 

Oficina prática de introdução à confecção de bonecos de mamulengo, onde as crianças aprendem técnicas básicas de construção, manipulação e história desta tradição popular nordestina.

 

14h15 – 16h15 - Primeira rodada de apresentações

 

14h - Abertura com bonecos gigantes de carnaval do Mestre Prego

 

14h15 - Mamulengo Calango (Arapiraca)

Oxente! Me conte!

Direção: Sônia Amorim


Dois amigos apaixonados pela mesma garota entram em conflito. Rosinha gosta de um como amigo, mas tem quedinha pelo Zé. Ela só descobre os sentimentos de ambos após uma briga entre eles, ficando dividida entre os dois pretendentes.

 

14h45– Teatro de Bonecos Xique-Xique (Marechal Deodoro)

Xô Musquitu Miseravé

Direção: Marcos Santos

 

Benedito, Zé do Peixe e Dona Sebastiana enfrentam uma aventura contra a propagação da Chikungunya. De forma lúdica e educativa, os personagens explicam como evitar a proliferação dos mosquitos transmissores e as melhores formas de combatê-los.

 

15h15 – Cia. Teatro do Imaginário (Marechal Deodoro)

O desejo pela língua do BOI

Direção: Pierre Pellegrine

 

Baseado em conto popular de domínio público, o espetáculo narra a história do boi e sua língua desejada, lenda folclórica tradicional apresentada através da técnica do mamulengo, com bonecos de luva esculpidos em madeira mulungu, música, dança e improviso.

 

15h45 – Cacau e as histórias do Vovô Mimi (Maceió)

Histórias de Orixá, pra Te Contar!

Direção: Carmen Freire

 

No grande panteão da existência, surge Obaluaê, pequeno orixá cuja função e aparência ninguém conhece. A curiosidade das outras crianças orixás é tanta que Oxalá, o mais velho de todos, convoca uma grande reunião para explicar a vinda e importância daquele orixá.

 

16h15 às 16h55 – Roda de conversa

Mamulengo em Alagoas: memórias, desafios e horizontes

Mediação: Camilo Produções e Eventos

 

Relatos de trajetória dos bonequeiros, debate sobre políticas públicas para o teatro de bonecos e abertura para perguntas do público.

 

Segunda rodada de apresentações (16h55 às 18h45)

 

16h55 – Bomboneco (Maceió) Contra todo tipo de pré-conceito

Direção: Magnus Oliveira

 

Zé Gordinho é repreendido por amigos e até pelo padre por seus preconceitos incontroláveis. Ao longo da história, ele se redime ao aprender lições importantes sobre respeito e convivência, servindo de exemplo para todos sobre os danos causados pelo preconceito.

 

17h25 – Mamulengo Caetés (Maceió)

Inclusão social

Direção: Rosivaldo Ferreira

 

Três artistas de rua – um pandeirista, um dançarino e um artesão – vão a um evento sem convite e fazem rebuliço para conseguir apresentar seu trabalho. A peça retrata a luta de artistas pela inclusão em espaços culturais e a resistência para mostrar sua arte.

 

17h55 – Mamulengos da Ritoca (Maceió)

Idade não define sonho

Direção:Rita Lins

 

Dona Lurdes, idosa ativa e cheia de histórias, encontra Nina, jovem que reproduz estereótipos sem perceber. Com mediação de Zefinha, as personagens promovem diálogo entre gerações, convidando o público a refletir sobre respeito e valorização das diferentes fases da vida.

 

18h25 – Trupe Canguelê (Maceió)

Nié em Meias Histórias

Direção: Daniel Silva

 

Nié é um mamulengo que não tem pernas, mas sonha em usar meias. Junto com seus amigos Garapa e Odete, ele sai em busca do impossível: vestir aquilo que seu corpo não comporta. Entre tentativas cômicas e reflexões profundas, Nié descobre que o que procurava não era a meia, mas o que ela representa. Um espetáculo sobre aceitar quem somos e reconhecer que já temos o que importa.