Eleições 2026
Debate na Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro tem troca de acusações e defesa de propostas
Fala sobre nove dedos repercutiu e fez o senador pedir desculpas ao vivo
O debate transmitido pela TV Globo entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por momentos de tensão, com acusações mútuas e a defesa de propostas para temas como políticas sociais, economia e saúde pública.
O ponto alto do embate ocorreu após Flávio Bolsonaro afirmar que o presidente "dá com uma mão e tira com nove dedos". Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos, reagiu de forma contundente:
"Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar", afirmou o petista.
Em seguida, Flávio Bolsonaro pediu desculpas: "Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade". O debate prosseguiu e Flávio voltou a criticar o governo, cobrando do presidente um pedido de desculpas à população: "Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas aos moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate a pobreza esse que você faz?", questionou o senador, que também repudiou Lula por tê-lo chamado de miliciano.
Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, 365,8 mil pessoas estavam em situação de rua em dezembro de 2025. O estudo aponta um aumento de 55% em relação a 2022, e não de 100%, como mencionado por Bolsonaro.
Pesquisadores ressaltam que parte desse crescimento pode estar relacionada a mudanças na metodologia de contagem, intensificação da busca ativa e inclusão de pessoas vulneráveis nas políticas sociais, sem que todo o aumento represente novos casos de pessoas em situação de rua.
Políticas sociais em pauta
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu o voto e afirmou ter mudado de posição:
"Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho, por até mais de 180 dias se possível."
Lula criticou a justificativa e afirmou que o adversário não respondeu objetivamente à pergunta. O presidente também mencionou postagens antigas de Flávio em redes sociais, nas quais chamou o Bolsa Família de "bolsa-farelo": "É a falta de respeito com o povo pobre desse país", rebateu Lula.
Flávio Bolsonaro respondeu que pretende manter e ampliar os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.
Endividamento das famílias
O endividamento das famílias brasileiras também foi tema do debate. Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo Lula o aumento dos juros e das dificuldades financeiras da população, citando uma dívida de R$ 11 trilhões — referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), medida pelo Banco Central.
O candidato do PL afirmou que, se eleito, pretende utilizar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas dos bancos e refinanciá-las.
Lula respondeu que a proposta já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado: "Ele está copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado". O presidente destacou ainda medidas de renegociação e perdão de dívidas já realizadas, mencionando uma operação de R$ 15 bilhões envolvendo 4,5 milhões de pessoas.
SUS e gestão da pandemia
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre declarações de um integrante de sua equipe econômica, que teria afirmado que não haveria investimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente também criticou a gestão da pandemia durante o governo Bolsonaro:
"Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?"
Lula afirmou que o SUS foi essencial para evitar mais mortes por covid-19, após a conduta do governo anterior. Em resposta, Flávio Bolsonaro disse que manteria e ampliaria os investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, as filas de atendimento e o financiamento da saúde.

