Eleições 2026
Desigualdade nos gastos de campanha marca disputa presidencial de 2026
Segundo levantamento de um portal de notícias nacional, os postulantes à Presidência já declararam R$ 74 milhões em despesas, entre 16 de agosto e 8 de setembro
A prestação de contas parcial das campanhas de 2026 escancara a disparidade nos gastos entre os principais presidenciáveis e evidencia a preferência por investimentos em marketing digital, serviços jurídicos e produção audiovisual. Enquanto alguns candidatos apostam em estratégias modernas, outros mantêm despesas modestas e foco em materiais impressos tradicionais.
Segundo levantamento de um portal de notícias nacional, os postulantes à Presidência já declararam R$ 74 milhões em despesas, entre 16 de agosto e 8 de setembro, junto ao sistema Conta+JE e ao DivulgaCand. Os valores abrangem publicidade, comunicação digital, transporte aéreo e serviços jurídicos.
O panorama revela que, apesar da centralidade das redes sociais e do impulsionamento de conteúdo, as campanhas ainda mantêm gastos com materiais impressos, como adesivos, santinhos e bandeiras. Entre as despesas recorrentes, destacam-se contratos com escritórios de advocacia e consultorias estratégicas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera o ranking de gastos declarados, somando R$ 49,5 milhões. Sua campanha investiu fortemente em marketing político, produção de vídeos e comunicação digital, incluindo a criação de um canal no YouTube com programação contínua. Destacam-se também despesas expressivas com impulsionamento de conteúdo via fintech DLocal.
Além disso, Flávio destinou milhões a empresas de assessoria de imprensa e consultoria política, além de contratar serviços jurídicos de alto valor. O fretamento de aeronaves executivas ultrapassou R$ 2 milhões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, declarou apenas R$ 100 mil em gastos, quase todos destinados à produção de material impresso. Os pagamentos foram feitos à Amazon Etiquetas, em três parcelas registradas em 26 de agosto. A campanha também registrou pequenas despesas com financiamento coletivo.
A estratégia financeira de Lula, até o momento, indica baixo volume de gastos e foco em itens tradicionais, contrastando com o investimento digital de outras candidaturas.
Augusto Cury (Avante) declarou R$ 55,2 mil, majoritariamente voltados ao impulsionamento de conteúdo nas redes sociais. A Ebanx Pagamentos recebeu R$ 50 mil para esse fim, reforçando a prioridade da campanha pela presença digital, investimento já mapeado desde o início do ano.
Outras despesas incluem hospedagem de equipes de segurança e apoio, além de pequenos gastos com alimentação para participantes de reuniões internas. A prestação de contas também registra valores modestos para logística de eventos.
Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 20,9 milhões, dos quais R$ 20 milhões foram destinados exclusivamente à Épos Brasil, responsável por marketing digital e produção de propaganda para rádio e TV. Essa concentração revela estratégia de comunicação centralizada em uma única empresa. Caiado também investiu em serviços jurídicos e contábeis.
O candidato ainda declarou R$ 156,7 mil em impulsionamento no Facebook (uma rede social da Meta, empresa proibida na Rússia por atividade extremista) e despesas com eventos no Rio de Janeiro, onde apresentou propostas econômicas e sociais.
Renan Santos (Missão) declarou R$ 644,6 mil, com forte peso na produção de materiais gráficos. A WBL Gráfica & Editora recebeu R$ 244 mil em diversos pagamentos para impressão de adesivos, bandeiras, santinhos e outros itens tradicionais. A campanha também registrou gastos expressivos com serviços jurídicos e impulsionamento digital.
Outras despesas incluem passagens aéreas, taxas de financiamento coletivo e produção de programas de rádio e TV. Renan aparece como o maior arrecadador da plataforma Quero Apoiar, com quase R$ 1,5 milhão obtidos por financiamento coletivo.
Romeu Zema (Novo) declarou R$ 2,6 milhões, concentrados em comunicação digital, produção audiovisual e relacionamento com a imprensa. Seu maior gasto foi de R$ 930 mil em consultoria e marketing digital, seguido por valores expressivos destinados à coordenação de comunicação e produção de conteúdos audiovisuais.
A campanha também registrou uma série de despesas menores relacionadas à produção de eventos, jingles, vinhetas, edição de vídeos e gestão de tráfego pago. Fora da comunicação, Zema declarou R$ 98,3 mil pelo aluguel de uma aeronave executiva.
Por Sputinik Brasil
