Eleições 2026

Metade dos eleitores vê risco de interferência estrangeira nas eleições brasileiras

32% dos entrevistados consideram essa possibilidade um problema, enquanto 18% não enxergam motivo de preocupação

Por Sputnik Brasil com Redação 24/08/2026 06h06
Metade dos eleitores vê risco de interferência estrangeira nas eleições brasileiras
Foto: © Marcelo Casal/Agência Brasil

Uma pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (22) revela que 50% dos eleitores brasileiros acreditam ser possível que outros países tentem interferir nas eleições deste ano, enquanto 43% descartam essa possibilidade. Outros 8% não souberam ou preferiram não opinar.

Entre os que veem risco de ingerência externa, as opiniões se dividem: 32% dos entrevistados consideram essa possibilidade um problema, enquanto 18% não enxergam motivo de preocupação.

O levantamento foi encomendado pela Folha de S. Paulo e pela TV Globo, estando registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026. Foram ouvidos 2.058 eleitores em todo o país, presencialmente e em pontos de fluxo, entre os dias 18 e 20 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Esta é a primeira pesquisa do instituto após o encerramento do registro de candidaturas e o início oficial da campanha eleitoral.

Divisão entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro

O tema divide os eleitores dos principais candidatos ao Planalto. Entre apoiadores do presidente Lula (PT), apenas 9% consideram que uma eventual interferência estrangeira não seria um problema, contra 32% entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL).

Já a preocupação com o risco de intervenção externa é maior entre os eleitores petistas: 36% desse grupo veem a possibilidade de ingerência como negativa, ante 24% dos bolsonaristas. Por outro lado, a descrença na possibilidade de interferência é mais frequente entre eleitores de Flávio (39%) do que entre os de Lula (46%).

Na pesquisa, o Datafolha orientou os entrevistados a considerar declarações de líderes estrangeiros sobre o processo eleitoral brasileiro.

Tarifas, ameaças e interferências na América Latina

As eleições de 2026 ocorrem em meio a episódios recentes de ingerência dos Estados Unidos sobre o Brasil. Nos últimos meses, o presidente norte-americano, Donald Trump, impôs sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobretaxou produtos brasileiros exportados. Trump chegou a associar as tarifas à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Após o anúncio do chamado "tarifaço", o Itamaraty afirmou que as taxas não foram impostas apenas por razões econômicas ou comerciais. "O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira", declarou o Ministério das Relações Exteriores em nota.

No início de junho, o perfil oficial do Departamento de Estado dos EUA publicou um vídeo que remete à Doutrina Monroe, criada em 1823 com o argumento de proteger os países recém-independentes das Américas do colonialismo europeu, mas historicamente utilizada para justificar a influência de Washington e gerar instabilidades na região.

Outro episódio que repercutiu foi a publicação, também neste mês, do deputado republicano Carlos Gimenez, com uma montagem do presidente Lula e a legenda "o que espera". Na imagem, Lula aparece como se fosse Nicolás Maduro sendo levado por forças americanas após uma invasão. A reação foi imediata, e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, classificou o ato como uma "ameaça" velada ao Brasil.

Além disso, o governo federal alerta para riscos à segurança nacional após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, tema também explorado pela oposição.

Neste domingo (23), o ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, usou as redes sociais para denunciar o uso de meio milhão de bots durante as eleições colombianas, alegando que as operações serviram para espalhar desinformação sobre ele e o candidato de seu partido, Iván Cepeda. Segundo Petro, essas ações estariam a serviço de grupos de extrema-direita na América Latina.

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