Eleições 2026

Primeiro debate presidencial de 2026 reúne apenas três candidatos

Lula justificou sua ausência dizendo que o formato do debate não oferecia condições equilibradas, por ser "o único candidato de esquerda"

Por Sputnik Brasil com Redação 24/08/2026 05h05
Primeiro debate presidencial de 2026 reúne apenas três candidatos
Foto: © Sputnik / Guilherme Correia

O primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Rede Bandeirantes neste domingo (23), em São Paulo, contou com a presença de apenas três candidatos: Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).

Os outros três presidenciáveis convidados — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) — cancelaram participação por motivos estratégicos.

De acordo com a Lei das Eleições, emissoras são obrigadas a convidar apenas candidatos cujos partidos tenham ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Cury atendiam a esse critério, enquanto Zema e Renan Santos participaram por decisão da emissora.

Também estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os candidatos Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Samara Martins (UP). A candidatura de Samara Martins teve manifestação de apoiadores em frente à emissora.

Lula justificou sua ausência dizendo que o formato do debate não oferecia condições equilibradas, por ser "o único candidato de esquerda". Flávio Bolsonaro optou por não participar sem Lula, para evitar ser alvo preferencial dos demais. Romeu Zema também cancelou após as desistências dos dois principais rivais.

Diplomacia e relações internacionais

Durante o debate, Caiado criticou a atuação do Itamaraty, alegando que o órgão tornou-se "porta-voz do PT" e estaria envolvido em provocações desnecessárias com líderes internacionais.

Cury defendeu uma abordagem de "pacificação" nas relações diplomáticas, mas ressaltou que não aceitará "subserviência" ou "servidão" em negociações comerciais.

O candidato do Avante destacou a crise fiscal dos Estados Unidos, citando uma dívida de "40 trilhões de dólares, cerca de 122% do PIB", e avaliou que as tarifas propostas por Washington refletem "um desespero enorme em resolver as contas públicas federais".

Cury também criticou a possibilidade de o Brasil aceitar aumento de tarifas que prejudiquem suas exportações, classificando a medida como "crueldade".

Renan Santos afirmou, em suas considerações finais, que o Brasil "pode ser uma das cinco maiores nações do mundo, sentando à mesa com Rússia, China, Índia e Estados Unidos", e destacou o potencial do país como "maior do Sul Global".

Em entrevista paralela ao debate, concedida à TV Record, Lula defendeu uma parceria com os EUA na exploração de terras raras, ressaltando que o Brasil não pretende se limitar à exportação de matérias-primas. O presidente também elogiou o diálogo com Donald Trump, classificando-o como "positivo", mas criticou atitudes do "segundo escalão" de Washington.

Economia e segurança pública

No debate, Cury ressaltou o potencial agrícola brasileiro como instrumento de política internacional e propôs duplicar a produção de alimentos para colocar o país "em pé de igualdade com China, Índia e Estados Unidos".

O candidato defendeu a adoção da escala 5x2, argumentando que a medida melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, ao afirmar que "30% dos trabalhadores do Brasil estão com síndrome de burnout, estresse profissional".

Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6x1, alertando para riscos econômicos e defendendo reformas para aumentar a competitividade, em vez de endurecer a legislação trabalhista.

A segurança pública também foi tema central. Caiado afirmou que o país "vive em clima de guerra" devido à atuação de facções como PCC e Comando Vermelho, propondo ampliar a autonomia dos governadores e construir 40 novos presídios com monitoramento rigoroso.

Renan Santos defendeu uma resposta mais agressiva, afirmando que promoveria um "banho de sangue contra os membros das facções" e sugeriu intervenção federal em estados que não combatam efetivamente o crime organizado.

Nas considerações finais, Caiado criticou os ausentes, dizendo que "quem não tem coragem de vir ao debate, não tem como explicar todos os escândalos em que está envolvido". O candidato do PSD destacou sua carreira de 40 anos na política sem envolvimento em grandes escândalos.

Cury apresentou-se como outsider, ressaltando sua origem humilde e propondo a inclusão de "melhores profissionais, melhores governadores, melhores gestores de empresa" em seu eventual governo.

Renan Santos encerrou o debate com críticas contundentes aos rivais ausentes, colocando um papel com a palavra "ladrão" sobre o púlpito destinado a Lula.

Por Sputnik Brasil