Ciência, tecnologia e inovação

Fungo causou desaparecimento de rãs na Mata Atlântica nos anos 1970

Estudo identificou o patógeno responsável pela redução das populações de anfíbios na região de Boracéia, em São Paulo, entre 1979 e 1982

Por Redação 04/11/2026 14h02
Fungo causou desaparecimento de rãs na Mata Atlântica nos anos 1970
Pesquisa também aponta que as espécies atuais desenvolveram maior tolerância à infecção. - Foto: Reprodução

Pesquisa também aponta que as espécies atuais desenvolveram maior tolerância à infecção.

Um estudo realizado por pesquisadores internacionais identificou o fungo Batrachochytrium dendrobatidis como responsável pelo declínio de populações de rãs na Mata Atlântica entre 1979 e 1982. A doença causada pelo patógeno, conhecida como quitridiomicose, provocou a morte de anfíbios na Estação Biológica Boracéia, centro de pesquisa e conservação da Universidade de São Paulo (USP), localizado em São Paulo.

Até então, a causa do desaparecimento dos animais era desconhecida. Uma das hipóteses consideradas apontava mudanças climáticas ou eventos climáticos extremos como responsáveis pela redução das populações, mas essa explicação foi descartada pela nova pesquisa.

O trabalho foi conduzido por cientistas do Centro de Genômica da Conservação do Instituto Nacional de Zoológicos e Biologia da Conservação do Smithsonian e da Universidade Estadual da Pensilvânia. Os resultados foram publicados em 14 de outubro na revista científica Molecular Ecology.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram 370 anfíbios de 17 espécies, preservados em coleções de museus. Os exemplares haviam sido coletados em expedições realizadas na Estação Biológica Boracéia durante a década de 1970, antes do declínio populacional, e nos anos 1980, depois da ocorrência das mortes.

As análises não identificaram infecções pelo fungo nas amostras anteriores a 1979. Já entre os animais coletados na década seguinte, mais da metade apresentou resultado positivo para o patógeno. Segundo os cientistas, os dados indicam que o fungo chegou à região e se espalhou rapidamente entre as espécies.

Os efeitos da infecção, porém, variaram de acordo com cada espécie. Algumas rãs conseguiram tolerar a presença do fungo e sobreviver, enquanto outras sofreram perdas tão rápidas que nenhum exemplar foi coletado durante as expedições realizadas no local.

Maior tolerância ao fungo


A pesquisa também analisou anfíbios coletados entre 2022 e 2024. Os resultados mostraram que, apesar de o fungo continuar circulando entre os animais da região, as rãs atuais desenvolveram maior tolerância à infecção e se recuperaram do declínio populacional registrado décadas antes.

Os pesquisadores ressaltam que a descoberta explica o desaparecimento dos anfíbios especificamente naquela área da Mata Atlântica, não sendo possível estender a conclusão a todo o bioma.

Como próxima etapa, a equipe pretende analisar o DNA de exemplares preservados em museus para compreender quais mecanismos genéticos ajudaram as espécies a responder às infecções fúngicas no passado.