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Colisões entre estrelas podem explicar origem de buracos negros supermassivos

Simulações apontam que fusões de astros no Universo primordial podem ter formado estruturas gigantescas e ajudar a desvendar os misteriosos “pequenos pontos vermelhos” identificados pelo telescópio James Webb

Por Sputnik Brasil com Redação 04/11/2026 14h02
Colisões entre estrelas podem explicar origem de buracos negros supermassivos
Estrelas gigantes poderiam entrar em colapso e formar buracos negros de massa intermediária ou elevada - Foto: Shutterstock/FOTODOM / Art Furnace

Colisões frequentes entre estrelas no Universo primordial podem ter contribuído para a formação dos primeiros buracos negros supermassivos e ajudar a explicar a natureza dos chamados “pequenos pontos vermelhos”, objetos misteriosos identificados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST). A hipótese foi apresentada por astrônomos a partir de simulações computacionais que apontam para a existência de aglomerados estelares extremamente densos nos primeiros períodos do cosmos.

De acordo com a pesquisa, as condições nesses aglomerados favoreciam encontros constantes entre estrelas. Enquanto colisões em alta velocidade podiam provocar a destruição dos astros, impactos mais lentos permitiam fusões sucessivas, dando origem a estrelas com massas muito superiores às encontradas atualmente.

Essas estrelas gigantes poderiam, ao final de suas vidas, entrar em colapso e formar buracos negros de massa intermediária ou elevada. Os objetos funcionariam como estruturas iniciais, conhecidas como “sementes”, que posteriormente cresceriam até atingir dimensões supermassivas.

A pesquisadora Claire Williams, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que as simulações identificaram um processo no qual estrelas podem se fundir repetidamente dentro de um mesmo aglomerado, formando um único astro colossal, com massa comparável à de todo o conjunto estelar. Quando essa estrela chega ao fim de sua existência, o colapso em um buraco negro massivo torna-se praticamente inevitável.

Mistério cósmico


A hipótese também pode contribuir para solucionar uma questão que intriga a comunidade científica desde 2022, quando o James Webb começou a identificar buracos negros supermassivos em fases muito antigas do Universo.

Os modelos tradicionais indicavam que esses objetos precisariam de pelo menos 1 bilhão de anos para acumular massa suficiente por meio de fusões e acreção de matéria. Entretanto, as observações do telescópio revelaram estruturas supermassivas quando o cosmos ainda tinha menos de 1 bilhão de anos, levantando dúvidas sobre os processos responsáveis por seu surgimento.

Outro fenômeno que pode ser explicado pela pesquisa são os “pequenos pontos vermelhos”, objetos compactos identificados no Universo primordial cuja natureza ainda é motivo de debate entre os astrônomos.

Uma das hipóteses considera que essas estruturas abriguem buracos negros em rápido crescimento. Outra possibilidade é que sejam aglomerados estelares extremamente densos e ativos, nos quais colisões constantes favoreceriam a formação de estrelas ultramassivas e, posteriormente, de buracos negros de massa intermediária.

Segundo as simulações, esses objetos poderiam representar justamente ambientes caóticos de intensa interação entre estrelas.

Com a expansão e o resfriamento do Universo, as condições extremas que permitiam esse tipo de fenômeno teriam desaparecido, dando lugar à formação de galáxias mais organizadas. Essa transformação pode explicar por que os misteriosos “pequenos pontos vermelhos” deixaram de ser observados quando o cosmos atingiu aproximadamente 2 bilhões de anos de idade.