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Estudo revela que derretimento de gelo acelera deformação da Terra

De acordo com o geólogo Christopher Kotsakis, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, na Grécia, a elevação das regiões polares praticamente dobrou entre 1997 e 2015

Por Sputnik Brasil 17/09/2026 13h01
Estudo revela que derretimento de gelo acelera deformação da Terra
Foto: © Foto / ISS Expedition 7 Crew, EOL , NASA

O derretimento acelerado de geleiras está transformando a forma da Terra, levando cientistas a observarem fenômenos inéditos: enquanto os polos se elevam cada vez mais rápido, o equador afunda, revelando comportamentos opostos entre a crosta sólida e o geoide gravitacional do planeta.

Há muito se sabe que a Terra não é uma esfera perfeita. A rotação do planeta provoca um leve abaulamento no equador e achatamento nos polos, característica já comprovada por diversos estudos. No entanto, medições recentes mostram que essa deformação está se intensificando, tornando a Terra, simultaneamente, mais e menos achatada, dependendo do critério de análise.

Imagem da Terra captada do espaço pelo satélite Meteosat, da Agência Espacial Europeia
Imagem da Terra captada do espaço pelo satélite Meteosat, da Agência Espacial Europeia

De acordo com o geólogo Christopher Kotsakis, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, na Grécia, a elevação das regiões polares praticamente dobrou entre 1997 e 2015. Esse fenômeno está ligado ao derretimento acelerado de gelo na Groenlândia e na Antártica, que retira peso das áreas polares e permite que a crosta se eleve — um processo conhecido como ajuste isostático.

Enquanto isso, a água proveniente do degelo se redistribui pelos oceanos, aumentando a pressão nas latitudes mais baixas e afundando o fundo marinho. Essa transferência de massa faz com que o equador afunde ainda mais, acentuando o achatamento nessa região.

Desde a década de 1970, cientistas acompanham alterações no geoide — a forma gravitacional irregular da Terra. Após anos de tendência de arredondamento, o geoide passou a se tornar mais achatado a partir do fim dos anos 1990, comportamento distinto daquele observado na crosta sólida (composta pela crosta e pelo manto superior).

Kotsakis analisou dados de estações do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) entre 1997 e 2015 e confirmou que a crosta está se elevando nos polos e afundando no equador, tornando a Terra sólida menos achatada. Por outro lado, o geoide, sensível à redistribuição de massa, apresenta tendência oposta, ficando mais achatado.

A aparente contradição se explica pela física: enquanto a crosta reage ao alívio de peso nas regiões polares, a gravidade responde à nova distribuição de massa, que migra para latitudes mais baixas. Assim, as formas sólida e gravitacional evoluem em sentidos diferentes, mas são compatíveis.

O estudo reforça que nenhuma medição isolada é capaz de captar toda a complexidade das forças que moldam o planeta. A integração de dados geológicos, gravitacionais e geodésicos é fundamental para compreender como a Terra se transforma em múltiplas escalas.

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