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Descoberta revela manto mais quente no hemisfério sul de Marte
Estudo, publicado em uma importante revista científica, reforça que Marte possui diferenças estruturais profundas entre seus hemisférios
Uma nova pesquisa revela que o manto do hemisfério sul de Marte é até 400 °C mais quente do que o do norte, desafiando a ideia de que o interior do planeta é simétrico. Utilizando a técnica de "tomografia de maré", cientistas relacionam essa assimetria à dicotomia de relevo, anomalias magnéticas e a um possível impacto colossal no passado marciano.
O estudo, publicado em uma importante revista científica, reforça que Marte possui diferenças estruturais profundas entre seus hemisférios. O hemisfério sul abriga um ponto quente no manto, com temperaturas significativamente superiores às encontradas no norte, sugerindo uma estrutura interna muito mais complexa do que se pensava.
Liderada por Alexander Berne, a pesquisa reanalisou dados de três sondas da NASA para identificar variações no campo gravitacional do planeta. Por meio da "tomografia de maré", a equipe concluiu que o manto do sul é mais quente e, possivelmente, parcialmente fundido, o que pode impactar tanto a atividade vulcânica quanto a potencial habitabilidade de Marte.

A assimetria interna de Marte está diretamente relacionada à dicotomia já observada em sua superfície: enquanto o norte é dominado por planícies baixas, o sul apresenta uma crosta mais espessa e terrenos elevados. Essa diferença pode ter influenciado a hidrologia antiga do planeta, favorecendo a formação de bacias capazes de reter água.

O calor do manto no hemisfério sul também esclarece observações anteriores, como a dissipação acelerada de ondas sísmicas detectada pela missão InSight e as anomalias magnéticas em minerais ferrosos da região, agora melhor explicadas pelo novo modelo térmico.
Há bilhões de anos, Marte possuía um campo magnético global. Segundo os cientistas, o aquecimento da crosta acima da temperatura de Curie no hemisfério sul pode ter apagado magnetizações antigas, criando os remanescentes magnéticos atualmente observados e fornecendo pistas sobre a evolução geológica do planeta.
A origem dessa dicotomia norte-sul ainda é incerta. Uma das principais hipóteses sugere que um impacto gigantesco teria escavado a bacia do norte, acelerando o resfriamento do manto naquela região e mantendo o sul mais quente. Outra possibilidade é que a crosta espessa do sul tenha funcionado como barreira térmica, retendo calor e dificultando a ascensão do magma — um cenário que poderá ser testado com dados gravitacionais de maior resolução.
A técnica de tomografia de maré abre novas perspectivas para investigações em outros corpos do Sistema Solar. Com medições gravitacionais mais precisas, será possível criar modelos tridimensionais detalhados da estrutura interna de planetas e luas, impulsionando futuras missões e estratégias de exploração científica.
