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Estudo aponta que adoçante pode afetar bactérias benéficas do intestino

Resultados da pesquisa não foram testados em humanos

Por Redação com Metrópoles 18/07/2026 17h05
Estudo aponta que adoçante pode afetar bactérias benéficas do intestino
O adoçante está associado a diversas evidências que o ligam à incidência de diabetes tipo 2, obesidade e câncer. - Foto: Getty Images

Um estudo publicado na revista científica Molecular Systems Biology identificou que o adoçante isosteviol, utilizado na fabricação de alimentos e bebidas, pode afetar bactérias importantes para a saúde intestinal, especialmente quando combinado com o antidepressivo duloxetina.

A pesquisa foi realizada em laboratório e mostrou que a combinação prejudicou significativamente duas bactérias benéficas do intestino: Roseburia intestinalis e Parabacteroides merdae, relacionadas ao equilíbrio da microbiota, ao controle da glicose e ao funcionamento do sistema digestivo.

Para o estudo, os pesquisadores cultivaram 25 espécies de bactérias intestinais e as expuseram a 39 tipos de adoçantes, tanto artificiais quanto naturais. Os testes mostraram que cerca de 75% dos adoçantes alteraram o crescimento de pelo menos uma espécie bacteriana, enquanto outros reduziram ou interromperam o desenvolvimento de microrganismos associados à saúde intestinal.

Na etapa seguinte, os cientistas avaliaram a interação dos adoçantes com substâncias como cafeína, vanilina, advantame e oito medicamentos de uso comum. Ao todo, foram identificadas mais de 100 interações, sendo que 34 potencializaram os efeitos observados e 68 os reduziram.

Segundo a professora Kiran Patil, da Universidade de Cambridge, grande parte do conhecimento sobre os adoçantes ainda vem de estudos com animais ou análises populacionais, o que dificulta compreender como essas substâncias atuam diretamente sobre as bactérias do intestino.

A autora principal da pesquisa, Sonja Blasche, afirmou que os resultados colocam em debate a ideia de que os adoçantes são metabolicamente neutros.

Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que os experimentos foram realizados apenas em laboratório. Por isso, ainda são necessários estudos em humanos para confirmar se os efeitos observados também ocorrem no organismo e qual é o impacto real para a saúde.