Ciência, tecnologia e inovação
Lasers em crateras lunares podem viabilizar primeiro 'GPS da Lua'
Essas crateras, que jamais recebem luz solar direta devido à baixa inclinação axial da Lua, mantêm temperaturas próximas de -223 °C
Lasers ultraestáveis instalados em crateras permanentemente sombreadas do polo sul lunar podem ser a chave para criar o primeiro "GPS da Lua". A proposta, desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) dos Estados Unidos, prevê navegação autônoma para astronautas e espaçonaves das missões Artemis ao aproveitar o frio extremo e o vácuo natural dessas regiões como aliados tecnológicos.
Essas crateras, que jamais recebem luz solar direta devido à baixa inclinação axial da Lua, mantêm temperaturas próximas de -223 °C e funcionam como câmaras naturais de frio intenso. Antes vistas principalmente como potenciais depósitos de gelo para abastecer futuras bases lunares, agora também são consideradas ambientes ideais para estabilizar lasers de frequência constante.
A iniciativa sugere instalar lasers ultraestáveis nas crateras mais frias e escuras do polo sul lunar, abrindo caminho para um sistema de navegação semelhante ao GPS terrestre, mas adaptado ao ambiente lunar.

A estabilidade desses lasers é fundamental: ao emitir luz com frequência quase imutável, eles permitem medir distâncias com precisão extraordinária, criando a base temporal necessária para o posicionamento lunar. A proposta se soma a outras iniciativas já estudadas por agências espaciais, como satélites de navegação, radiofaróis e relógios atômicos adaptados à Lua.
Na Terra, manter lasers superestáveis exige infraestrutura sofisticada, incluindo resfriamento criogênico e isolamento contra vibrações. Nas crateras lunares, o frio permanente, o vácuo natural e a baixa atividade sísmica desempenham esse papel de forma passiva, reduzindo a necessidade de equipamentos pesados e energia adicional.
O estudo destaca o uso de cavidades ópticas de silício, dispositivos que estabilizam a luz ao refletir o laser entre espelhos separados por distâncias extremamente precisas. Em condições lunares, essas cavidades poderiam operar quase sem expansão térmica, garantindo a estabilidade exigida para sistemas de navegação baseados em frequência.
Com o aumento da atividade no polo sul lunar e o retorno da Lua ao centro das ambições espaciais, depender apenas do rastreamento a partir da Terra se tornará inviável. A topografia acidentada e as sombras permanentes dificultam a navegação de astronautas e robôs, tornando urgente a criação de uma infraestrutura local de posicionamento.
Se instalados dentro ou próximos dessas crateras, os lasers poderiam servir como referências temporais mestras para satélites lunares e redes de comunicação, atuando como verdadeiros faróis de GPS. Integrados a relógios atômicos em órbita, ajudariam a formar o primeiro sistema de tempo óptico em uma superfície extraterrestre — um avanço decisivo para a autonomia operacional na Lua.
Por Sputnik Brasil


