Turismo

Qualificação da UNESCO pode impulsionar turismo histórico em Alagoas

Curso nacional para guias turísticos abre caminho para valorização de patrimônios culturais, cidades históricas e destinos naturais alagoanos

Por Esther Barros 20/05/2026 06h06
Qualificação da UNESCO pode impulsionar turismo histórico em Alagoas
. - Foto: Reprodução/ Ilustração

O lançamento do novo edital do Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO reacendeu o debate sobre o potencial dos patrimônios culturais e naturais de Alagoas no cenário do turismo sustentável brasileiro.

A iniciativa prevê a criação de um curso nacional de qualificação voltado a guias de turismo e condutores locais que atuam em áreas reconhecidas como Patrimônio Mundial, mas especialistas avaliam que a formação também pode beneficiar profissionais de destinos históricos e ambientais espalhados pelo estado.

Com carga horária de 40 horas e oferta gratuita em formato online, o curso abordará temas como conservação patrimonial, mudanças climáticas, turismo sustentável, interpretação cultural e gestão responsável da visitação.

A proposta é preparar profissionais para oferecer experiências mais qualificadas aos turistas e fortalecer a preservação dos territórios históricos e ambientais brasileiros.

Em Alagoas, cidades com forte relevância histórica e cultural aparecem como potenciais beneficiadas pela iniciativa. Municípios como Penedo, reconhecida pelo conjunto arquitetônico colonial às margens do Rio São Francisco, e Marechal Deodoro, primeira capital alagoana e berço do marechal Deodoro da Fonseca, concentram patrimônios históricos que atraem visitantes durante todo o ano.

Outro ponto frequentemente citado por pesquisadores e profissionais do turismo é o potencial da Foz do Rio São Francisco, um dos cartões-postais naturais mais conhecidos do Nordeste, além das áreas de preservação ambiental no litoral sul alagoano, como a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, considerada a maior unidade de conservação marinha costeira do país.

A qualificação também pode beneficiar guias que atuam em destinos turísticos consolidados como Maragogi, famoso pelas piscinas naturais, São Miguel dos Milagres, um dos principais polos da Rota Ecológica, e Piranhas, cidade histórica do sertão que preserva construções antigas e integra roteiros ligados ao cangaço e ao Velho Chico.

Para o Ministério do Turismo, o investimento na capacitação de profissionais que atuam diretamente com visitantes é estratégico para elevar a competitividade dos destinos brasileiros e ampliar a valorização cultural das comunidades locais.

O ministro Gustavo Feliciano afirmou que os guias turísticos exercem papel fundamental na preservação da memória e da identidade brasileira. Segundo ele, fortalecer a qualificação desses profissionais significa melhorar a experiência dos visitantes e criar um turismo mais sustentável e responsável.

O Brasil possui atualmente 25 sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO, entre patrimônios culturais, naturais e mistos. Entre os mais conhecidos estão o Centro Histórico de Ouro Preto, o Parque Nacional do Iguaçu, o Parque Nacional da Serra da Capivara e Brasília.

O edital prevê ainda a produção de videoaulas, apostilas digitais, materiais multimídia acessíveis e estudos de caso voltados à realidade brasileira. Empresas interessadas em desenvolver o curso podem enviar propostas até 15 de junho de 2026 pela plataforma oficial da UNESCO.