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Biólogos explicam porque alguns animais envelhecem lentamente

Processo não é igual em todos os seres vivos, causando curiosidade

Por Redação com Metrópoles* 21/03/2026 16h04
Biólogos explicam porque alguns animais envelhecem lentamente
A tartaruga-marinha pode viver até mais de 100 anos - Foto: Web

Enquanto algumas espécies apresentam claros sinais de desgaste com o passar do tempo, outras conseguem estabilizar funções corporais durante grande parte da vida. Para os pesquisadores, o segredo está nos mecanismos genéticos e celulares ligados ao envelhecimento.

De acordo com Marcello Lasneaux, professor da Heavenly International School, de Brasília, o envelhecimento não é igual em todos os organismos. “O envelhecimento varia muito entre as espécies porque está ligado a uma programação genética própria de cada uma delas”, explica.

De acordo com o especialista, essa programação envolve tanto mecanismos que promovem o envelhecimento quanto outros que podem compensar ou reduzir seus efeitos.

Programação genética

Essas diferenças ajudam a explicar por que algumas espécies apresentam envelhecimento extremamente lento. Lasneaux afirma que alguns animais costumam ter sistemas biológicos capazes de reparar danos no material genético, regular a expressão de genes e mitigar processos celulares que aceleram o desgaste do organismo.

Entre os exemplos mais conhecidos estão organismos que apresentam o que os cientistas chamam de “senescência negligenciável”, quando o impacto do envelhecimento sobre o corpo é muito pequeno. Esse fenômeno já foi observado em cnidários, como hidras e algumas águas-vivas, além de ocorrer em certos mamíferos, como a baleia-da-Groenlândia, elefantes e jumentos.

O professor de Biologia Victor Maciel, do Colégio Galois, em Brasília, aponta que o metabolismo também influencia diretamente nesse processo.

“O envelhecimento está ligado a oxidações geradas pelo metabolismo. Quando esses mecanismos acumulam falhas, surgem sinais de desgaste no organismo”, explica.Em espécies que envelhecem mais lentamente, mecanismos celulares conseguem reparar o DNA com mais eficiência e neutralizar radicais livres, que são moléculas associadas ao dano celular. Segundo Maciel, alguns répteis, tartarugas e cnidários são exemplos de animais que mostram poucos sinais de envelhecimento ao longo da vida, mantendo funções biológicas relativamente estáveis até fases avançadas.

Foto mostra uma água-viva, que pertence a um grupo de animais de corpo mole - Metrópoles

Cnidários são organismos aquáticos de corpo mole, como águas-vivas e anêmonas, famosos por seus tentáculos com células urticantesInfluência do ambiente

O ambiente também pode influenciar o ritmo desse processo. Temperatura, disponibilidade de alimento, presença de predadores e níveis de estresse são fatores que interferem no funcionamento do organismo.

Ambientes mais estáveis tendem a favorecer um envelhecimento mais lento, enquanto situações de estresse constante podem acelerar o desgaste biológico.

O que a ciência pode aprender com esses animais

O estudo desses animais desperta interesse da ciência porque pode ajudar a compreender melhor o envelhecimento humano. Como muitos genes são compartilhados entre diferentes espécies, pesquisadores investigam se mecanismos de reparo genético observados em outros animais poderiam inspirar novas estratégias médicas no futuro.

Mesmo assim, especialistas ressaltam que envelhecimento lento não significa imortalidade. Lasneaux explica que, além da programação genética, fatores como doenças, traumas e alterações metabólicas também influenciam o tempo de vida.

“Não podemos falar em imortalidade. O envelhecimento é apenas uma das variáveis que interferem na longevidade”, afirma.