Agro
Expo Bacia Leiteira marca virada na economia do leite em Alagoas
Chegada de três grandes indústrias, incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura abrem novo ciclo para a cadeia produtiva com precificação do leite também com foco na qualidade; 43ª edição reuniu cerca de 20 mil visitantes em Batalha
A Bacia Leiteira de Alagoas vive um momento de transformação. A chegada de três grandes indústrias — Alvoar Lácteos, Piracanjuba e Nativille — amplia as perspectivas de mercado para os produtores e abre uma nova etapa para a principal região leiteira do estado. Esse cenário marcou a 43ª Expo Bacia Leiteira, realizada de 14 a 18 de outubro, no Parque Mair Amaral, em Batalha. O evento recebeu cerca de 20 mil visitantes e reuniu quase 500 animais girolando, além de produtores, cooperativas, empresas e instituições de ensino. A programação combinou negócios, formação técnica, julgamentos de animais e atividades para toda a família.
De acordo com a secretária de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Paula Dantas, que abriu o evento com a Palestra Magna, a expansão industrial está associada a medidas de incentivo e investimentos em infraestrutura. No momento, Dantas apresentou as ações do governo estadual para atrair empresas e ampliar as oportunidades econômicas na região.
“Alagoas vem trabalhando para criar as condições necessárias à chegada de novos investimentos, com incentivos fiscais, infraestrutura e qualificação profissional. Esse movimento amplia as oportunidades de emprego e renda e fortalece a economia regional. Foram incentivos fiscais ICMS zerado, programa qualifica Batalha, adutora subsede da Algás. Os efeitos alcançam setores como construção civil, comércio, transporte e serviços, além da própria cadeia leiteira” disse.
Para o prefeito de Batalha, Wagney Dantas, a chegada das indústrias representa um marco para o município e para o sertão. “Batalha tem orgulho de fazer parte desse momento histórico da Bacia Leiteira. A chegada de grandes indústrias fortalece nossa vocação produtiva, amplia as oportunidades de emprego e renda e abre novas perspectivas para os produtores de toda a região. Estamos vivendo uma virada histórica para Batalha e para toda a Bacia Leiteira. A chegada dessas indústrias confirma a força da nossa vocação produtiva e abre novas oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento. É motivo de orgulho ver nossa região ganhar esse reconhecimento e se preparar para um futuro com mais investimentos e oportunidades para quem vive e produz aqui”, destaca.
Qualidade
Com o crescimento da demanda industrial, a qualidade do leite ganha importância na remuneração dos produtores. Programas adotados pelas empresas buscam relacionar o pagamento do litro a critérios técnicos, incentivando melhorias na higiene da ordenha, no resfriamento e na conservação, além de parâmetros como teor de gordura e proteína e indicadores microbiológicos.
A iniciativa vai ofertar capacitação e assistência técnica, especialmente para os agricultores familiares. A aproximação entre indústria e produtor busca melhorar o padrão da matéria-prima, reduzir perdas e garantir regularidade no fornecimento.
A Piracanjuba tem entre suas estratégias a ampliação da captação e o acesso a novas bacias leiteiras. O diretor da Piracanjuba, Edney Murilo Secco destaca a importância de preparar os produtores para atender às exigências do mercado.
“Hoje nosso programa conecta a empresa com os produtores de leite. Estamos iniciando nova operação, com expectativa positiva. Sobre a qualidade do leite nosso objetivo é melhoria contínua pensando em produção, qualidade. E melhoria do sólido. Nossa unidade herdou uma estrutura em Monteiropolis, onde vamos adequar correndo atrás da ampliação. E futuramente acessar novas linhas de produtos”, disse.
Com foco na inovação, melhoria de resultados e no aumento da qualidade que proporcionam ganhos as empresas e aos produtores, um novo sistema de pagamento do leite direcionado na qualidade começa a ser implantado por empresas que atuam na captação do produto na Bacia Leiteira de Alagoas.
Na Alvoar Lácteos, o leite que chega a unidade industrial vindo do campo passa por análise para verificar se está apto a dar continuidade ao processo de industrialização. “Antes de internalizar esse leite, ele passa por uma bateria de exames que é feita para verificar se existem por exemplo adulterantes. Antes de mais nada a gente tem que seguir uma legislação rigorosa. É importante destacar que não se faz um produto bom com leite ruim. Por isso, a partir de novembro vamos iniciar o pagamento por qualidade”, destacou o gestor da Alvoar, Ricardo Maris.
Segundo o gestor da Alvoar, empresa que começou a operar em Alagoas, no município de Batalha, com a captação de leite, após firmar parceria com a Cooperativa da Produção Leiteira (CPLA), o produtor que entregar um leite de melhor qualidade, pode receber um valor maior pelo produto. A empresa conta com mais de 120 produtores em Alagoas com objetivo de ampliar, tendo produtores que produzem de 100 litros de leite até de 27 mil litros/dia.
“A qualidade consegue diferenciar muitas coisas. Se formos olhar só a questão do volume, a gente pode ter um produtor com um volume muito grande leite e um pequeno produtor dificilmente teria condições de atingir o mesmo volume. Mas utlizando a tabela de qualidade e de volume a fórmula de pagamento fica muito clara. Pode ter produtores com um volume menor, ganhando mais que outro com uma produção maior, dependendo da qualidade”, esclareceu Maris.
De acordo com ele, a mudança na forma de pagamento valoriza a produção de um leite mais saudável e com mais sólidos. “Isso tudo vai ter um peso na questão da qualidade. Mas é importante lembrar que o sistema também leva em consideração o volume já que tudo faz parte de um contexto dentro da precificação”, destacou.
O gestor da empresa reforçou que, atualmente, no laboratório existente na fábrica, em Batalha, são realizados 28 testes para comprovar a qualidade do leite que chega a unidade industrial. “Só a partir desse processo é que podemos saber se o produto pode entrar na fábrica ou não. Utilizamos os equipamentos que existem de mais modernos no Brasil”, afirmou
Segundo ele, com essa exigência na qualidade do leite, o objetivo também é estimular o criador a produzir um leite de melhor qualidade e ter um rebanho ainda mais sadio. “O produtor que conseguir pegar todas as bonificações, ele pode pegar só na qualidade até R$ 0,32. Mas existe uma questão importante. Da mesma forma que ele pode receber mais, ele também pode sofrer penalizações. Se a qualidade dele for ruim, essa tabela passa a ser regressiva e penalizar o produtor pela falta de qualidade do leite que se torna uma maneira justa de precificar o leite dos produtores”, ressaltou.
