Política

Flávio Bolsonaro é sócio oculto de bet, revela revista piauí

Reportagem indica que o senador seria sócio indireto da plataforma 'Best Bet'

Por Redação 21/10/2026 09h09 - Atualizado em 21/10/2026 10h10
Flávio Bolsonaro é sócio oculto de bet, revela revista piauí
Willer e Flávio. - Foto: Reprodução

Uma reportagem publicada pela revista piauí nesta terça-feira (20) aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria sido sócio indireto da casa de apostas online Best Bet. A investigação reuniu documentos empresariais, registros bancários e informações do Brasil e de Portugal que indicam uma possível ligação entre o parlamentar, o advogado Willer Tomaz e empresas offshore.

Segundo a publicação, os documentos também motivaram a Polícia Federal (PF) a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar a suspeita de sociedade não declarada.

Estrutura

De acordo com a reportagem, a estrutura empresarial começou a ser montada em janeiro de 2023, quando Willer Tomaz criou a Cathedral Holdings, com sede na Ilha da Madeira, em Portugal, e capital inicial de 50 mil euros.

No mês seguinte, foi constituída no Brasil a Rede Loto Ltda., com capital de R$ 1 milhão e nome fantasia Best Bet. A empresa era controlada pela Cathedral Holdings, registrada no exterior.

Em maio de 2023, a Best Bet obteve uma das primeiras licenças de operação concedidas pela Loterj, a loteria do estado do Rio de Janeiro. O despacho foi assinado por Hazenclever Cançado, então presidente do órgão, que, segundo informações da Folha de S.Paulo, havia sido indicado ao cargo por Flávio Bolsonaro.

A reportagem também afirma que a casa de apostas passou a operar nacionalmente em julho daquele ano, por meio de uma interpretação das regras estaduais de exploração de loterias.

Conta no exterior


Um dos principais elementos citados pela piauí é o registro de Flávio Bolsonaro como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings no Santander. A empresa offshore mantinha uma companhia no Brasil, a Alcazar Brasil Ltda.

Segundo a reportagem, documentos extraídos do iCloud de Willer Tomaz e obtidos pela Polícia Federal indicam que somente o senador e o advogado tinham esse nível de acesso à conta.

O perfil de “usuário master” permite consultar saldos e extratos, acompanhar movimentações e administrar permissões de outros usuários. Dependendo dos poderes concedidos, também pode permitir a realização ou autorização de pagamentos e transferências.

A publicação ressalta que o cadastro bancário, isoladamente, não comprova participação societária. Para a PF, porém, o acesso à conta, combinado com outros elementos, justificaria a apuração de uma possível participação não declarada do senador nos negócios da Best Bet.

Viagens e luxo


Reportagem anterior da Folha de S.Paulo apontou que a Cathedral Holdings teria pago ao menos três trechos de viagens em jato executivo de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz entre Portugal e França, em 2025.

Os comprovantes teriam sido encontrados no computador do advogado durante as investigações da PF. Entre os deslocamentos mencionados estão voos de Lisboa para Nice, em 11 de abril, e de Cascais para Nice, em 23 de maio, além de uma viagem posterior a Paris.

Em nota, o advogado afirmou que os pagamentos foram feitos por ele, e não pela empresa, e que se tratavam de “passeios de lazer entre amigos e suas famílias”.

Flávio Bolsonaro declarou que sua relação com Willer é “exclusivamente de amizade” e que associar essa proximidade a supostas irregularidades é “mera ilação”.

Movimentações financeiras


A reportagem também descreve alterações contábeis nas empresas ligadas à estrutura. Segundo os dados publicados, os valores a receber registrados pela Cathedral Holdings passaram de 7,8 mil euros para 984 mil euros em 2025. No mesmo período, a dívida atribuída à Alcazar Holdings teria aumentado de 8,1 mil euros para 824 mil euros.

As duas offshores teriam o mesmo proprietário formal, Willer Tomaz, o mesmo administrador, Mateo Scudeler, e endereço comum na Ilha da Madeira. Um auditor fiscal ouvido pela revista afirmou que “é possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar, total ou parcialmente”.

A publicação ainda relata que Flávio deixou de figurar como “usuário master” da conta da Alcazar em meados de 2025.

*Informações de piauí