Agro
Algodão sobe e café recua em abril com impacto de safra e exportações
Dados do Cepea mostram alta nos preços da pluma e queda no café, em cenário de oferta elevada e mercado cauteloso
Os preços do algodão em pluma registraram alta no mercado brasileiro em abril, enquanto o café apresentou queda, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.
No caso do algodão, a valorização foi observada pelo quinto mês consecutivo, com os preços atingindo os maiores níveis nominais desde julho de 2025. O movimento foi impulsionado principalmente pelo bom desempenho das exportações, que reduziram os estoques internos, além da influência da valorização do petróleo.
O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma acumulou alta de 5,74% em abril, encerrando o mês cotado a R$ 4,1421 por libra-peso. A paridade de exportação também contribuiu para a elevação dos preços, com a cotação interna ficando, em média, 6,6% acima da paridade no período.
Apesar da alta, o mercado interno segue com liquidez limitada. Indústrias priorizam o consumo de estoques e contratos já firmados, enquanto comerciantes atuam de forma pontual, com negociações mais restritas.
Já o mercado de café apresentou recuo nos preços em abril, pressionado pela expectativa de uma safra robusta no ciclo 2026/27. Segundo o Cepea, tanto o arábica quanto o robusta registraram queda nos mercados interno e externo.
O Indicador Cepea/Esalq do café arábica tipo 6 teve média de R$ 1.811,87 por saca de 60 kg, retração de 5,3% em relação a março. Na comparação com abril de 2025, a queda chega a 26,8% em termos reais.
Para o café robusta, a média foi de R$ 917,15 por saca, com recuo de 10,3% frente ao mês anterior e de 40,1% na comparação anual, também em termos reais.
Apesar da pressão de oferta, o Cepea destaca que fatores como os baixos estoques certificados na bolsa de Nova York e tensões geopolíticas no cenário internacional ajudaram a limitar quedas mais acentuadas.
De forma geral, o cenário indica mercados distintos: enquanto o algodão segue sustentado pela demanda externa, o café enfrenta pressão com a perspectiva de maior oferta global, mantendo os agentes cautelosos nas negociações.
*Com informações da Cepea


