Agro

Café recua com pressão da safra recorde no Brasil

Mercado reage ao aumento da oferta, mas custos logísticos e cenário geopolítico evitam quedas mais intensas

Por Redação 22/04/2026 09h09
Café recua com pressão da safra recorde no Brasil
Logística e cenário global limitam quedas mais acentuadas - Foto: © Paula Laboissière/Agência Brasil

Os contratos futuros do café encerraram a terça-feira (21) em queda nas bolsas internacionais de Nova Iorque e Londres, ainda sob pressão da expectativa de uma safra recorde no Brasil. O aumento projetado da oferta global continua sendo o principal fator de baixa nas cotações.

De acordo com o site internacional Barchart, o cenário de produção elevada no país mantém o mercado pressionado. Por outro lado, fatores logísticos e geopolíticos ajudaram a conter quedas mais acentuadas ao longo do dia.

Logística e tensão global influenciam mercado


O fechamento do Estreito de Ormuz surge como elemento de sustentação parcial dos preços. A restrição na rota estratégica elevou custos de frete, seguro e combustível, impactando diretamente a cadeia global do café.

“O fechamento do estreito apertou a oferta de café, aumentando as taxas de frete globais, os custos de seguro e combustível, além de elevar os custos para importadores e torrefadores de café”, destacou a publicação.

Além disso, dificuldades no transporte interno também afetam o escoamento da produção brasileira. “O transporte do café da fazenda para o mercado é outro problema devido à guerra com o Irã. O Brasil informou que as exportações podem não melhorar muito em março devido aos custos de frete e outras preocupações”, afirmou Jack Scoville, analista do Price Futures Group.

Oferta restrita de robusta limita perdas


Apesar do viés de baixa, o café robusta encontrou suporte em sinais de oferta mais restrita. Os estoques monitorados pela ICE recuaram para o menor nível em 16 meses, totalizando 3.788 lotes na segunda-feira, o que ajudou a conter desvalorizações mais intensas.

Cotações nas bolsas


Na Bolsa de Nova Iorque, os contratos do arábica registraram perdas em todos os vencimentos:

Maio/26: 289 cents por libra-peso (-320 pontos)
Julho/26: 282,65 cents por libra-peso (-510 pontos)
Setembro/26: 272,05 cents por libra-peso (-505 pontos)
Dezembro/26: 264,40 cents por libra-peso (-515 pontos)

Em Londres, os contratos do robusta também encerraram em queda:

Maio/26: US$ 3.457 por tonelada (-25 pontos)
Julho/26: US$ 3.338 por tonelada (-37 pontos)
Setembro/26: US$ 3.263 por tonelada (-38 pontos)
Novembro/26: US$ 3.194 por tonelada (-39 pontos)

Cenário segue volátil


O mercado do café continua sensível à combinação entre fundamentos de oferta e fatores externos. Enquanto a perspectiva de safra robusta no Brasil pesa sobre os preços, gargalos logísticos e tensões geopolíticas seguem como elementos de suporte, mantendo a volatilidade elevada.