Agro

Menor em 5 anos, ATR de janeiro cai 6,7% e agrava crise da cana em AL

O quilo do ATR líquido fechou o mês em R$ 1,1396 — o menor valor nominam registrado nos últimos cinco anos

Por Blog de Edivaldo Junior 30/01/2026 05h05
Menor em 5 anos, ATR de janeiro cai 6,7% e agrava crise da cana em AL
Queda no ATR de janeiro agrava crise da cana em Alagoas. - Foto: Edivaldo Junior

A nova tabela divulgada pelo Consecana-AL/SE confirmou o aprofundamento da crise no setor sucroenergético em Alagoas. Após uma breve recuperação em dezembro, o ATR (Açúcar Total Recuperável), indicador que define da cana para o produtor voltou a cair em janeiro de 2026. A redução foi de 6,7% em relação ao mês anterior. O quilo do ATR líquido fechou o mês em R$ 1,1396 — o menor valor nominam registrado nos últimos cinco anos.

Na prática, o número reforça o quadro de deterioração da renda no campo e ajuda a explicar por que as perdas dos fornecedores já ultrapassam R$ 338 milhões nesta safra. Além da queda de produção agrícola, estimada em 15,2%, o impacto financeiro é ainda maior, com redução próxima de 28% no faturamento dos produtores.

Levantamento histórico mostra que o atual patamar do ATR é inferior ao registrado em agosto da safra 2020/2021, quando o quilo foi comercializado a R$ 1,1701, e muito distante dos níveis observados nos meses iniciais das últimas safras. Para efeito de comparação, em agosto da safra 2023/2024 o ATR chegou a R$ 1,5364, com a tonelada de cana-padrão acima de R$ 175. Em janeiro deste ano, a tonelada ficou em R$ 130,01.

A retração do ATR em janeiro foi provocada principalmente pela forte queda no preço do açúcar VHP exportado para o mercado mundial, que despencou de R$ 111,39 em dezembro para R$ 90,38. Já o VHP comercializado no mercado americano permaneceu estável, enquanto apenas o açúcar cristal, destinado ao mercado interno, apresentou leve alta. O etanol, por sua vez, reagiu, com valorização tanto do anidro quanto do hidratado, mas sem força suficiente para compensar as perdas do mix açucareiro.

Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), Edgar Filho, o cenário atual configura uma das mais graves crises já enfrentadas pelo setor no Estado. Segundo ele, a combinação de fatores negativos gerou um choque sem precedentes para os fornecedores.

“É a maior ou uma das maiores crises da história do setor sucroalcooleiro de Alagoas. Os preços caíram abruptamente de um mês para o outro. Quando se soma a queda do ATR de campo com a redução da safra, o prejuízo financeiro passa de 50% de uma safra para outra”, afirmou.

Edgar classifica o momento como uma “tempestade perfeita”, marcada por queda de produtividade, redução de safra, ATR baixo e retração nos preços do açúcar e do etanol. “A conta não fechou nem para as usinas, nem para os produtores. Muitas unidades industriais estão com dificuldade de pagamento, parcelando saldos dos fornecedores. Há semanas sem recebimento, com produtores sendo forçados a escolher entre manter o canavial ou sustentar a família”, alertou.

Na avaliação de Henrique Acioly, diretor da Coplan (Cooperativa dos Plantadores de Cana) e cooperado da Copervales, a crise foi agravada por fatores climáticos severos, especialmente a estiagem prolongada que comprometeu o desenvolvimento do canavial. Em regiões como Atalaia, Murici e Capela, a redução de safra variou entre 15% e 30%, somada a uma queda de até 25% no preço da tonelada de cana.

“Foi uma redução muito grande no faturamento do fornecedor. Em alguns casos, a queda chegou a 30% ou 40% no faturamento bruto. Isso é muito grave para o setor como um todo”, destacou.

Acioly explica que a pressão sobre o ATR e sobre o preço da cana tem origem no superávit mundial de açúcar, estimado em cerca de seis milhões de toneladas, resultado da superprodução na Ásia e da inversão histórica do mix no Centro-Sul brasileiro, que priorizou o açúcar em detrimento do etanol.

Para as lideranças do setor, o maior risco agora 1está na próxima safra. Sem renda suficiente, muitos fornecedores não terão condições de investir em adubação e tratos culturais, o que pode comprometer ainda mais a produtividade futura. A crise da cana, avaliam, já extrapola o campo e começa a afetar o emprego, a renda e o giro da economia em diversas regiões de Alagoas.

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Veja texto da assessoria




				Menor em 5 anos, ATR de janeiro cai 6,7% e agrava crise da cana em AL

Preço da cana em Alagoas é o menor em 5 anos. Edivaldo Júnior

ATR tem queda de 6,7% em janeiro

Após ter registrado uma variação positiva em dezembro, vindo de uma sequência de quedas, o ATR, no primeiro mês de 2026, volta a cair e fecha janeiro com uma redução de 6,7% em relação ao mês anterior. De acordo com o Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar e Etanol de Alagoas e Sergipe (Consecana-AL/SE), o preço líquido foi de R$ 1,1396.

A variação negativa do ATR teria sido provocada principalmente pela redução do preço do saco do açúcar VHP exportado para o mercado mundial, que passou de R$ 111,39 em dezembro para R$ 90,38 em janeiro.

O levantamento técnico divulgado pelo Consecana e elaborado com base em dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), aponta ainda que o saco do açúcar VHP — comercializado no mercado americano — manteve o mesmo valor praticado em dezembro, R$ 138,24.

Entre os açúcares, apenas o saco do cristal, destinado ao mercado interno, apresentou aumento de preço, subindo de R$ 115,02 em dezembro para R$ 118,96 em janeiro.

Apesar das variações ocorridas nos preços do açúcar, o etanol registrou alta. O metro cúbico do anidro subiu de R$ 3,396 em dezembro para R$ 3,757, enquanto o hidratado passou de R$ 3,198 para R$ 3,525.

O Consecana-AL/SE informou ainda que o preço médio de um quilo de ATR nos produtos no mês de janeiro foi de R$ 1,9283, com posição acumulada de R$ 2,0100.

O Consecana destacou também que a tonelada da cana-padrão no mês foi de R$ 130,0170, com acumulado de R$ 135,5275.