Política
Chapa federal do PSD pode virar pesadelo para prefeito de Arapiraca
Rute está rompida politicamente com o prefeito e é irmã do deputado estadual Ricardo Nezinho
Nome a nome, região por região, o PSD começa a dar forma a uma chapa federal com lógica clara e potencial competitivo em 2026. Em encontro realizado no começo desta semana entre o governador Paulo Dantas e os principais quadros da legenda foi definido um desenho territorial que pode impactar o equilíbrio de forças em várias regiões do estado — especialmente no Agreste.
A chapa em montagem tem um traço comum: cada nome carrega peso político bem definido no seu território. Luciano Amaral, atual deputado federal e presidente estadual do partido, segue como principal puxador de votos. Ele conta hoje com o apoio direto de pelo menos 18 prefeitos, o que lhe garante capilaridade estadual, com predominância no Sertão.
Ao lado dele, o PSD reúne Júlio Cezar, ex-prefeito de Palmeira dos Índios, liderança consolidada no eixo Sertão/Agreste; Marcos Madeira, ex-prefeito de Maragogi, com influência no Litoral Norte; Thaís Canuto, ex-vereadora e candidata a prefeita de Pilar, com inserção na Região Metropolitana de Maceió; Rui Palmeira, ex-prefeito e vereador da capital; e Rute Nezinho, vice-prefeita de Arapiraca, segunda maior cidade de Alagoas.
O grupo também terá outros nomes de Maceió, de atuação no meio empresarial e de evangélicos. O resultado é uma chapa com ocupação territorial equilibrada. É esse desenho que faz o PSD trabalhar com a meta de eleger um deputado federal e brigar, com consistência, pela segunda vaga.
Mas há um detalhe que chama atenção nos bastidores — e que vai além da conta interna do partido.
A entrada de Rute Nezinho na disputa federal pode transformar a chapa do PSD em um problema direto para o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.
Rute está rompida politicamente com o prefeito e é irmã do deputado estadual Ricardo Nezinho, provável candidato à sucessão municipal e hoje adversário declarado do grupo que governa a cidade.
Se Rute conseguir boa votação em Arapiraca, o impacto não vai se restringir à chapa do PSD. Ela tende a disputar votos no mesmo campo eleitoral do deputado federal Daniel Barbosa (PP), filho do prefeito, cuja reeleição é uma das prioridades absolutas de Luciano Barbosa em 2026. Nas eleições de 2022, Daniel teve 63 mil votos, destes 33 mil em Arapiraca. Se perder parte do eleitorado para a vice-prefeita sua reeleição pode se complicar.
Pior para o grupo de Luciano é que a montagem de chapa do PSD pode eleger o segundo deputado com uma votação em torno de 40 mil votos, um patamar que está ao alcance da influente família Nezinho. Uma eventual vitória de Rute e derrota dde Daniel seria um verdadeiro pesadelo (político) para o atual prefeito.
Em outras palavras: a chapa do PSD, montada para ter capilaridade em todo o Estado pode virar efeito colateral no Agreste. Uma vice-prefeita bem votada, rompida com o prefeito e com base própria na cidade, tem potencial para reduzir dificultar o projeto familiar do atual gestor de Arapiraca.
O governador Paulo Dantas, que assumiu a articulação do PSD após as eleições municipais de 2024, parece confortável com esse desenho. Ao coordenar a montagem da chapa, ele amplia o espaço do partido e, ao mesmo tempo, reposiciona o PSD como na disputa proporcional.


