Turismo

Santuário do peixe-boi transforma Alagoas em referência mundial

Área protegida no litoral norte alia preservação ambiental, ciência e turismo sustentável para salvar espécie ameaçada de extinção

Por Esther Barros 25/02/2026 07h07
Santuário do peixe-boi transforma Alagoas em referência mundial
Peixe-boi dando um oi na jangada - Foto: Reprodução/Instagram

Alagoas abriga uma das mais importantes áreas de proteção do peixe-boi marinho no Brasil, um mamífero aquático raro e ameaçado de desaparecer da natureza. 

O principal refúgio da espécie no estado está dentro da APA Costa dos Corais, unidade federal de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que se estende pelo litoral norte alagoano até Pernambuco.

Com mais de 400 mil hectares, a área foi criada para preservar recifes de corais, manguezais, estuários e diversas espécies marinhas, entre elas o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), considerado o mamífero aquático mais ameaçado do país. 

Peixe Boi

Um dos pontos mais conhecidos dessa proteção ambiental é o Rio Tatuamunha, no município de Porto de Pedras. Ali funciona o chamado “Santuário do Peixe-Boi”, área onde os animais vivem em liberdade monitorada e podem ser observados por visitantes de forma controlada, sem interferir no habitat natural.

O acesso ao local segue regras rígidas de conservação. As visitas são feitas em jangadas conduzidas manualmente, sem motor, para evitar ruído e colisões que possam ferir os animais. Além disso, o número de turistas por dia é limitado e o contato direto com os peixes-boi é proibido. 

Segundo o ICMBio, a região tornou-se estratégica para a recuperação da espécie graças a programas de resgate, reabilitação e reintrodução conduzidos há décadas. Diversos animais encontrados encalhados ou feridos foram tratados e devolvidos à natureza justamente nas águas protegidas da APA, onde há condições adequadas de alimentação e reprodução. 

Unidades de Conservação no Brasil

A importância desse trabalho é reforçada por dados nacionais: estima-se que existam apenas cerca de 500 indivíduos da espécie ao longo de toda a costa brasileira, o que torna cada nascimento ou reintrodução um avanço significativo para a sobrevivência do animal. 

Além da preservação ambiental, o santuário também impulsiona o turismo sustentável e a economia local. Comunidades ribeirinhas participam diretamente das atividades, operando os passeios e promovendo educação ambiental, modelo considerado referência de ecoturismo no país. 

Visite Alagoas

Especialistas apontam que iniciativas como essa demonstram que Alagoas possui riquezas naturais que vão muito além das praias. O estado reúne áreas de manguezal, rios, estuários e recifes que formam um dos ecossistemas marinhos mais biodiversos do Atlântico Sul, e cuja conservação é essencial não apenas para a fauna, mas também para a segurança climática e alimentar das populações costeiras.

Assim, o santuário do peixe-boi se consolida como símbolo de um turismo responsável e de uma política ambiental que busca equilibrar preservação e desenvolvimento, colocando Alagoas no mapa internacional da conservação marinha.