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Suspensão da vacina do Butantan reforça atuação da farmacovigilância no país

Especialistas destacam rigor científico e monitoramento

Por Redação 08/06/2026 18h06
Suspensão da vacina do Butantan reforça atuação da farmacovigilância no país
Suspensão da vacina do Butantan reforça atuação da farmacovigilância no país - Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

A decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi vista por especialistas como um sinal de que o sistema de farmacovigilância brasileiro está funcionando de forma eficaz.

Em entrevista à GloboNews, a infectologista Rosana Richtmann, diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirmou: “A farmacovigilância no nosso país está funcionando muito bem porque, de forma precoce, identificou sinais de alerta de segurança.”

Segundo dados oficiais, até 30 de maio foram aplicadas 500 mil doses, sendo 417 mil em profissionais de saúde. Nesse universo, houve 3.703 notificações de eventos adversos (0,7% do total), dos quais 42 foram classificados como graves (0,008%). Entre eles, três casos críticos, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação.

O que é farmacovigilância


A farmacovigilância é o acompanhamento contínuo dos efeitos de vacinas e medicamentos após sua aprovação. O processo permite identificar reações raras e orientar medidas de segurança quando necessário.

Contexto da vacina


A vacina do Butantan é a primeira do mundo aplicada em dose única e também a primeira totalmente desenvolvida no Brasil. Antes da liberação, foi testada em 16 mil voluntários durante cinco anos, com eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave, em estudo publicado na revista Nature.

Próximos passos


O Ministério da Saúde informou que estados e municípios devem suspender a aplicação e reforçar a busca ativa por possíveis efeitos adversos. Quem recebeu a dose nos últimos 21 dias deve observar sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos e sinais de desidratação.

O ministro Alexandre Padilha destacou que não há, até o momento, dados suficientes para estabelecer relação direta entre os casos graves e a vacina. Já o diretor do Butantan, Esper Kallás, afirmou que o instituto seguirá trabalhando com rigor científico para fornecer evidências que permitam a retomada da imunização com segurança.