Política
A volta por cima de Teo na política de Alagoas tem três letras
O ex-governador ajudou a construir a vitória que encerra o ciclo do MDB no comando do estado
Teotonio Vilela Filho não disputou a eleição de 2026, mas tem razões para comemorar o resultado. Depois de quase 12 anos ouvindo seus sucessores apontarem seu governo como exemplo do que Alagoas precisava superar, o ex-governador ajudou a construir a vitória que encerra o ciclo do MDB no comando do estado. Sua volta por cima tem três letras: JHC.
O ex-governador manteve, ao longo de sua trajetória, uma relação próxima com o senador Renan Calheiros.Os dois chegaram a ser chamados de senadores siameses. Em 2010, quando Vilela disputou a reeleição ao governo, os dois estiveram em palanques diferentes. Ainda assim, o diálogo nunca foi rompido.
Há uma história nessa relação com os Calheiros que permanece aberta a interpretações. Em 2014, Teo ficou no governo até o último dia do mandato. Não saiu para disputar outro cargo nem reuniu seu grupo em torno de Benedito de Lira, principal adversário de Renan Filho naquela eleição.
O PSDB acabou disputando o governo com Júlio Cezar, então com pouca expressão eleitoral. Uma leitura que persiste nos bastidores é a de que Teo teria agido deliberadamente para facilitar o caminho de Renan Filho até o Palácio República dos Palmares. Tenha existido ou não um acordo, o ex-governador é apontado como um dos responsáveis indiretos por aquela vitória.
Apesar disso, nos anos seguintes Teo passou a ser tratado como adversário, e sua administração virou referência negativa recorrente no discurso do grupo que assumiu o governo.
Na campanha deste ano, a aproximação com JHC renovou os ataques. Renan Filho e Paulo Dantas voltaram a associar a gestão tucana ao atraso e usaram a presença de Teo entre os aliados do então candidato como argumento contra a oposição.
O ex-governador, porém, já havia feito um movimento que ajudaria a mudar a disputa. Depois que o sobrinho, Pedro Vilela, deixou o comando do PSDB e se afastou da atividade política, Teo reassumiu uma legenda com pouca expressão eleitoral. Ao perceber o impasse de JHC no PL, abriu uma alternativa.
Aqui um parentese: Téo e JHC sempre mantiveram boas relações, reforçadas por um amigo comum, o prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha.
O convite foi registrado em primeira mão pelo Blog do Edivaldo Júnior. Teo colocou o partido à disposição, conversou com Aécio Neves e ofereceu ao então prefeito o que ele buscava: comando estadual e autonomia para montar a chapa e levar adiante seu projeto.
A escolha deu resultado. O PSDB elegeu um governador, uma senadora, um deputado federal e dois deputados estaduais em Alagoas. O partido recuperou força no estado e passou a ocupar espaço importante na reorganização nacional dos tucanos.
Na quarta-feira (04/11), Aécio apresentou JHC como referência para a renovação da legenda. A futura gestão alagoana, afirmou, poderá mostrar a nova cara do PSDB. A projeção nacional do governador eleito também valoriza a articulação de quem o levou para o partido.
Para Teo, a vitória abre espaço para defender seu legado em condições diferentes. Depois de anos respondendo com silêncio às críticas dos sucessores, passa a ter interlocução direta com o próximo governador. JHC tem ouvido seus conselhos e reconhece a contribuição que recebeu para construir o caminho eleitoral.
Essa contribuição foi além da legenda. Teo aproximou antigos aliados e amigos, lideranças que ajudaram na campanha e voltaram a participar das articulações para o governo. Rodrigo Cunha, Fernando Sérgio Lira e Célia Rocha estão entre os nomes ligados ao ex-governador que acompanham JHC.
Teo também conserva relações fora de Alagoas. Ex-presidente nacional do PSDB, mantém interlocução com Aécio Neves, Geraldo Alckmin e antigos tucanos que seguem na política.
É respeitado por Lula e por outras lideranças petistas. Sua proximidade com Alckmin ajuda a compreender a relação com esse campo: em 2022 e 2026, declarou voto na chapa Lula-Alckmin.
Essas relações podem ser úteis ao futuro governador e devolver a Teo algum protagonismo nacional. A aposentadoria das urnas deve continuar, mas sua participação nos bastidores pode ganhar n. Mas essa é outra história.
