Agro
Concurso de Merendeiras define oito finalistas da etapa estadual
Disputa será realizada no dia 14 de novembro, em Arapiraca
Oito merendeiras de municípios alagoanos estão classificadas para a etapa estadual da oitava edição do Concurso de Merendeiras, promovido pelo Sebrae Alagoas. A final está marcada para 14 de novembro, em Arapiraca, e vai reunir receitas que valorizam os ingredientes da agricultura familiar e a qualidade nutricional da alimentação oferecida nas escolas públicas.
As classificadas foram selecionadas após as semifinais regionais, realizadas na última semana de outubro. Antes de inscreverem seus pratos, as participantes passaram por capacitações voltadas à elaboração de refeições saborosas, nutritivas e seguras, com atenção à alimentação escolar e ao desenvolvimento dos municípios.
No Sertão, garantiram vaga Maria Zelma Leite dos Santos, de Santana do Ipanema, com a receita "Tesouro do Sertão", e Isabel Menezes Ferreira Vieira, de Delmiro Gouveia, que apresentou "Canjiquinha com Carne Bovina e Queijo Coalho".
Pelo Agreste, as finalistas são Daniela Santos Ângelo Faustino, de Limoeiro de Anadia, com "Cores e Sabores do Agreste: Bredo, Amendoim e Abóbora", e Nadieje Vieira Gomes da Silva, de Campo Alegre, autora de "Terrine Nordestina de Macaxeira, Feijão-de-corda e Carne Desfiada".
A região Sul será representada por Meire Lima Santos, de Penedo, com "Nhoque de Macaxeira com Frango e Molho de Legumes", e Francielle do Nascimento dos Santos, de Jequiá da Praia, que concorre com "Filé de Tilápia ao Creme de Milho".
Já na região Metropolitana, as vagas ficaram com Ivonete da Silva Jesus, de Maceió, que preparou "Risoto de Abóbora com Frango", e Lidiane Bezerra dos Santos, de Mar Vermelho, com "Escondidinho de Creme de Milho com Frango e Abóbora".
Cada uma das oito profissionais já recebeu R$ 500 pela classificação na etapa municipal. Na final, a campeã ganhará R$ 5 mil. A segunda colocada receberá R$ 2,5 mil, e a terceira, R$ 1 mil. A nutricionista que participou da elaboração da receita vencedora também será contemplada com um prêmio de R$ 5 mil.
Agricultura familiar
Uma das principais exigências do concurso é que os pratos utilizem alimentos da agricultura familiar que já estejam incluídos nas chamadas públicas e nos pregões de compras governamentais das prefeituras. Dessa forma, as receitas precisam ser preparadas com ingredientes que já fazem parte da alimentação escolar dos municípios.
A proposta é incentivar as administrações municipais a aprimorar a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e estimular as merendeiras a explorar novas combinações e formas de preparo. A iniciativa também busca valorizar a diversidade de alimentos produzidos em cada região e criar receitas que possam ser reproduzidas no cotidiano das escolas.
Responsável pela organização do concurso, a analista Tatiana Eigler, da Unidade de Ambiente de Negócios (UAN) do Sebrae Alagoas, afirma que as participantes apresentam evolução técnica a cada edição. Para ela, a criatividade na preparação e na apresentação dos pratos pode despertar o interesse das crianças por uma alimentação mais saudável.
“A gente percebe que elas têm aprimorado a forma de cozinhar para sair do trivial e fazer melhor, de uma forma diferente, e criança gosta de comer quando algo é apresentado para ela de uma forma diferente. Para muitas delas, aquela merenda é a principal refeição do dia, porque em casa elas não têm acesso a um alimento de qualidade como aquele. Quando elas se deparam com um prato mais lúdico, primeiro atraídas pelo cheiro, depois pelo olhar, e, por último, pelo paladar, elas aprendem e valorizam o se alimentar bem. Consequentemente, essas crianças bem nutridas conseguem ter mais atenção nas aulas e aprendem mais. Tudo isso estimulando também a agricultura familiar, gerando renda para as famílias dessas crianças e fazendo a economia local se desenvolver”, detalha a analista.
Produção rural
Além de melhorar a alimentação dos estudantes, o concurso busca aproximar a agricultura familiar das compras públicas. Ao priorizar produtos cultivados na própria região, as escolas ampliam a demanda por alimentos frescos e criam oportunidades de mercado para os pequenos produtores.
Nesse processo, o Sebrae atua na preparação técnica dos agricultores para que possam atender às exigências e participar dos processos de compras institucionais. A iniciativa pretende fazer com que os recursos destinados à merenda escolar também contribuam para movimentar a economia dos municípios, gerando trabalho e renda no campo.
A analista técnica do Sebrae Alagoas Pollyana Bellotti destaca que a iniciativa ajuda os produtores a reconhecer o valor dos alimentos que comercializam e o impacto de sua atividade na comunidade.
“A ideia desse concurso fortalece e dá oportunidade não só para as merendeiras, mas também para os produtores, estimulando o empreendedorismo rural. Fazemos com que eles tenham a percepção de que não vendem uma fruta ou verdura, eles estão vendendo saúde, porque a saúde começa pela alimentação. Sem falar que fortalece a economia do município. Quando você estimula a agricultura familiar, ocorre o desenvolvimento territorial. O produtor produz, vai vender, a região vai consumir, vai girar a economia do município, gerar imposto, gerar emprego direto e indireto, e tudo fica naquela região”, avalia.
*Informações de Sebrae AL
