Política
EUA teriam pedido que Flávio retirasse autonomeação de presidente eleito
Flávio Bolsonaro publicou uma versão revisada da carta após se apresentar inicialmente como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”
O governo dos Estados Unidos teria solicitado a retirada da expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil” de uma carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) após sua chegada ao território norte-americano. A informação foi divulgada pela imprensa brasileira nesta quinta-feira (29) e aponta preocupação de autoridades americanas com possíveis consequências diplomáticas da declaração.
Segundo informações atribuídas a assessores do Departamento de Estado dos EUA e divulgadas pelo jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, a expressão poderia transmitir a ideia de que Washington reconhecia Flávio como presidente eleito, apesar de sua derrota na disputa presidencial.
A reportagem também informou que diplomatas que acompanharam os acontecimentos confirmaram a existência da preocupação. Aliados do senador, por outro lado, afirmaram que a alteração foi apenas um ajuste na versão inicial do documento.
Na primeira versão da carta, divulgada pelo influenciador Paulo Figueiredo, Flávio se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Cerca de meia hora depois, uma nova versão publicada pelo senador na rede social X passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.
A mudança ocorreu após a repercussão do documento, no qual o parlamentar agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido para deixar o Brasil.
Em outras versões do texto, também foram identificadas alterações no conteúdo e no brasão utilizado no documento. A sequência de mudanças foi registrada por veículos de imprensa que compararam os arquivos divulgados.
Na carta, Flávio alegou que houve fraude no processo eleitoral brasileiro, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação. O senador questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação em locais onde eleitores ainda aguardavam para votar.
A prorrogação ocorreu após solicitação das campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do próprio Partido Liberal (PL), sigla de Flávio. Segundo esclarecimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a votação continuou apenas nos locais em que o encerramento ainda não havia ocorrido às 17h.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno realizado no domingo (25), com uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos em relação a Flávio. O resultado foi reconhecido pela Justiça Eleitoral.
Após as declarações do senador, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, divulgou uma nota na qual afirmou que as eleições ocorreram “dentro da mais absoluta normalidade” e foram “as mais inclusivas da história da República brasileira”.
O magistrado também declarou que “todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”.
A possível interferência do governo americano na alteração da carta acrescenta um componente diplomático à repercussão do documento. Até o momento, a informação sobre o pedido para modificar o texto é atribuída a relatos divulgados pela imprensa, e não a um posicionamento oficial público do governo dos Estados Unidos.
